muda de cana

Uma nova fonte de mudas

Canaoeste implementa projeto que facilita o processo de atualização varietal

25/04/2022 08:00

A partir de 2022, os produtores associados da Canaoeste das regiões de Sertãozinho e Serrana terão uma nova fonte de mudas para a implementação de variedades de cana-de-açúcar modernas em suas lavouras. O escopo do projeto consiste na parceria com produtores que cedem uma área de aproximadamente cinco hectares para a equipe técnica da associação que fará todos os manejos de plantio e desenvolvimento até chegar no ponto de corte, quando as mudas serão destinadas aos associados interessados.

Inicialmente foram implementados dois campos pilotos, em Sertãozinho e Serrana, porém o objetivo é replicar em todas as filiais já em 2023, com a metodologia desenhada através da experiência dos projetos do corrente ano, como explica o presidente da Canaoeste, Fernando dos Reis Filho.

“Com as duas áreas que plantamos estamos entendendo quais são os manejos que melhor se enquadram em nosso objetivo, que é o de ofertar tecnologia genética, mas também entregar um canavial de qualidade para os que cederam a área, isso porque após o primeiro corte, a soqueira passa a ser deles”.

Um detalhe importante da ação é a facilidade ao acesso dos pequenos e médios produtores de cana associados ao que há de mais novo, que quando cultivadas no ambiente certo, respondem com ganhos considerados de produtividade.

“Sabemos que adquirir mudas sadias para o pequeno e médio produtor é difícil, se pensarmos nas variedades mais novas, a dificuldade se torna muito maior. Em cada área vamos cultivar cinco materiais que serão os tops; lançados recentemente e que já são cultivados em grandes áreas, como de usinas, e que apresentam resultados muitos positivos, principalmente considerando os números de produção”, disse a gestora técnica da Canaoeste, Alessandra Durigan.

Depois que a muda chegar na fazenda

O agrônomo da Canaoeste, André Volpe, mostrou para a reportagem como o produtor deve utilizar as mudas para construir o seu viveiro e posteriormente introduzir as plantas em área comercial.

“Ao receber o material, é preciso pensar na formação de um viveiro primário, prática que vai permitir replicar a tecnologia para uma área maior, além de ter certeza quanto à ambientação da variedade no microclima da propriedade. Também é importante um cuidado maior quanto à mistura de variedades, principalmente durante os processos de carregamento e plantio, além do trabalho pela manutenção da sanidade, através do controle de pragas, doenças e invasoras com práticas como o tratamento de sulco, levantamentos e o roguing (retirada de plantas que demonstrem eventuais problemas)”.

Sobre a forma de plantio, o técnico orienta que o produtor pode fazer no modo convencional, o qual vai utilizá-la em cerca de doze meses ou adotar a meiosi, formando a linha mãe entre setembro e outubro e desdobrá-la em março ou abril. Há ainda a possibilidade por fazer um mix dos dois manejos: “O produtor pode formar o viveiro em novembro para utilizar essa cana nas linhas mães em uma eventual meiosi no início da época das águas”.

Variedades plantadas em Sertãozinho e Serrana

Como já dito, a escolha pelas cultivares se baseou no atendimento das necessidades do perfil dos associados da Canaoeste nas duas regiões que foi implementado. Diante disso, em Sertãozinho foram escolhidos perfis genéticos que se adaptam a todos os tipos de ambiente (bons, intermediários e ruins) ao longo de todos os meses de colheita.

Em sertãozinho, as menos exigentes são as variedades: IACSP01-5503, para colheita no meio e final da safra e RB975033, para colheita no início da safra. Quem busca por variedades com performances melhores em solos de boa fertilidade terá como opção a RB985476, RB005014 e RB015177, indicadas para colheita no meio da safra.

A agrônoma da Canaoeste, Daniela Aragão Bacil, explica que pesou na decisão da montagem do portfólio a velocidade de brotação, perfilhamento e crescimento o qual todas carregam essa característica: “Cultivares que saiam antes em relação à média são importantes, pois estão menos expostas às interferências climáticas”.

Para Serrana, o time técnico optou por substituir a RB005014 pela RB975242, isso pelo perfil de solo da região apresentar maior incidência com a classificação de média a baixa fertilidade.

Por: Marino Guerra

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