plantio de cana

O plantio e sua importância para o processo de produção de cana-de-açúcar

02/03/2020 07:58

O tema plantio de cana é muito significativo no contexto de busca por índices maiores de produtividade agrícola com o propósito central de otimização de todo o processo de produção de cana-de-açúcar.

Segundo o Pecege (2018), a formação do canavial, composta pelo somatório dos estágios de preparo de solo, plantio e trato de cana-planta, corresponde a aproximadamente 20% dos custos totais de produção durante o ciclo da cultura para a região tradicional, que engloba as regiões produtoras dos Estados de São Paulo e Paraná. Dentro da formação do canavial, a etapa de plantio corresponde a 60%, com valor próximo a R$ 4.000,00 por hectare.

Uma boa qualidade do plantio, associada ao preparo e à correção do solo, é necessária para proporcionar o desenvolvimento adequado da cultura da cana-de-açúcar, garantir a longevidade e produtividade das soqueiras.

Segundo Quintella et al., 1997, um canavial implantado sem os conhecimentos básicos de plantio poderá ter sua longevidade reduzida, determinando como consequência a elevação dos custos de produção. Com o controle de qualidade bem-feito, o aumento da produtividade e a longevidade dos canaviais são evidentes, além da diminuição dos custos de possíveis retrabalhos (Barros, 2008).

Os principais procedimentos e técnicas que podem influenciar na qualidade do plantio são: correção do solo (calagem, gessagem e fosfatagem); o preparo adequado do solo e a correta sistematização da área; a escolha da variedade de cana de acordo com o ambiente de produção e época de colheita da área, a qualidade da muda (sanidade e idade) e o controle de plantas daninhas, pragas e doenças. Também é muito importante realizar o treinamento e adaptação das equipes que irão realizar o plantio.

As principais dificuldades encontradas pelos produtores são: a aquisição de mudas de boa qualidade, livre de doenças e principalmente sem a presença da praga Sphenophorus levis; a falta de estrutura mecânica (máquinas/implementos) e humana que muitas vezes os tornam dependentes das unidades produtoras (usinas) e os altos custos de implantação do canavial, que podem inviabilizar algumas etapas importantes como, por exemplo, a aplicação de insumos
De acordo com Ripoli (2004), existem três sistemas de plantio em utilização no Brasil: o manual, o semimecanizado e o mecanizado.

O primeiro tem maior ocorrência no nordeste brasileiro e é caracterizado pelo fato de todas as operações de plantio serem manuais. No segundo sistema, a sulcação é efetuada mecanicamente e a deposição das mudas no sulco é manual, lançadas de caminhões de carga, a adubação e cobertura dos sulcos também ocorrem mecanicamente. No sistema mecanizado, realizam-se todas as operações citadas anteriormente (sulcação, deposição de mudas, adubação e cobrimento dos sulcos) mecanicamente.

Independente da modalidade, o plantio é uma etapa que envolve muitas variáveis, nas quais o controle e gestão das operações e o planejamento são ferramentas fundamentais para minimizar os riscos e alcançar altos índices de qualidade. Para Beauclair e Scarpari (2006), sejam quais forem os sistemas de plantio adotados, semimecanizado ou mecanizado, os mesmos devem atender às necessidades da cultura da cana-de-açúcar.

Podemos dividir os fatores que influenciam o plantio em endógenos e exógenos. Os fatores endógenos são aqueles ligados ao potencial da planta, e entre os mais importantes podemos citar: tamanho de tolete e reserva energética, idade das gemas e variedade. Dentre os exógenos, os quais estão relacionados à metodologia de plantio utilizada, estão: profundidade de plantio, espaçamento, densidade de plantio, danos mecânicos causados às gemas, cobertura de sulcos e compactação pós-cobertura.

O manejo varietal é a etapa básica do planejamento do plantio e tem como objetivo racionalizar o uso das variedades dentro das áreas de produção. Escolher a variedade mais apta ao ambiente de produção de cada área é uma tarefa fundamental para os produtores que almejam resultados favoráveis. A utilização de variedades modernas e mais adaptadas às condições adversas do novo cenário de produção é necessária, visando ao resgate de altas produtividades.

A sistematização e o preparo do solo adequado são pontos-chave para o sucesso no estabelecimento da cultura. A redução de número de manobras dentro do talhão e a eliminação de ruas “mortas” (bicos) proporcionam menores áreas de intensa compactação, observando-se maior uniformidade no desenvolvimento da cultura. O preparo de solo deve criar condições ideais para o desenvolvimento radicular da cultura, assim como eliminar zonas de compactação e garantir a infiltração da água no solo.


De forma geral, o planejamento do plantio, o controle e a qualidade das operações são fundamentais para mitigar a influência dos fatores endógenos e exógenos, independente da modalidade de plantio adotada. A implantação de uma lavoura de cana-de-açúcar envolve uma série de cuidados por se tratar de uma cultura semiperene. É preciso atentar-se ao plantio, já que a longevidade do canavial está diretamente relacionada à qualidade dessa operação. Podemos afirmar, com certeza, que o plantio é o primeiro passo para alcançarmos boas produtividades agrícolas, sendo essencial o uso de tecnologias modernas para que a cultura seja instalada de modo uniforme e com plantas vigorosas e sadias.

O plantio é sempre o investimento crucial na condução de qualquer cultura e é a base de seu desenvolvimento. Cabe ao produtor fazer as considerações necessárias para implantá-la de maneira adequada, já que serão as atitudes tomadas nesta operação as determinantes da produtividade e longevidade da planta.

A Canaoeste pode auxiliar o produtor na condução dessa etapa importante do processo de produção de cana. Para mais informações e orientações, consulte a nossa equipe técnica.

Literatura consultada
BARROS, F. F. A melhoria contínua no processo de plantio da cana-de-açúcar. 2008. 78 f. Dissertação (Mestrado em Máquinas Agrícolas) – Universidade de São Paulo, Piracicaba, 2008.
BEAUCLAIR, E.G.F.; SCARPARI, M.S. Noções fitotécnicas. In: RIPOLI, T.C.C.; RIPOLI, M.L.C.; CASAGRANDI, D.V. (Org.). Plantio de cana-de-açúcar: estado da arte. Piracicaba: Livroceres. 2006. V.1, p. 80-91. BONILLA, J. A. Qualidade total na agricultura: fundamentos e aplicações. 2 ed. Belo.
QUINTELA, A.C.R.; ANDRADE, L.A.B.; CARVALHO, G.J.; BOCARDO, M.R. Efeito do plantio de cana inteira, com e sem desponte, e da compactação pós-cobertura, em duas variedades de cana-de-açúcar. STAB. Açúcar, Álcool e Subprodutos, Piracicaba, v. 15, n. 3, p.22-24. 1997.
RIPOLI, T.C.C.; RIPOLI, M.L.C. Biomassa de cana-de-açúcar:

Fonte: Revista Canavieiros
Escrito por: Alessandra Durigan – gestora técnica da Canaoeste
Foto: André Volpe

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