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Micronutrientes, ferramenta importante no manejo da cana-de-açúcar

20/12/2021 08:00

A adubação com micronutrientes, atualmente, é um dos assuntos mais discutidos na cultura da cana e o uso muitas vezes é polêmico, entretanto, na literatura existem exemplos de respostas positivas em termos de produção de colmos e açúcar.

Nos últimos anos, a perda de produtividade agrícola devido ao clima, pragas, doenças, deficiência nutricional, compactação etc. tem prejudicado a eficiência do produtor causando sérios problemas, por isso, é muito importante que os números de produtividade agrícola e de qualidade da matéria-prima sejam mais altos para viabilizar o seu processo de produção. Nesse sentido, os micronutrientes principalmente boro, cobre, manganês, molibdênio e zinco estão se tornando ferramentas importantes no manejo da cultura da cana-de-açúcar.

Os micronutrientes desempenham papel de destaque no metabolismo das plantas. As deficiências e respostas estão relacionadas com diversos fatores, principalmente tipo de solo, pH e disponibilidade. Portanto, além da utilização com corretivos e adubação com NPK, é necessária a aplicação de micronutrientes, principalmente em solos que indiquem deficiências. A disponibilidade dos micronutrientes para as plantas depende de muitos fatores, como por exemplo, do pH do solo, como se pode observar no gráfico abaixo, apresentado na figura 1:

Analisando o gráfico, conforme sobe o pH, a disponibilidade dos micronutrientes pode aumentar (Mo) ou diminuir (B, Zn). Esta situação pode ser equilibrada com o uso do calcário para correção do solo. Pode-se observar que a faixa de pH ideal é entre 6 e 7. Outras situações também podem influenciar na disponibilidade dos micronutrientes, como: canaviais com altas produtividades, onde ocorre maior extração; novas variedades, que possivelmente são mais exigentes; manejo no solo; tipo do solo; entre outras.

Nesse contexto, ressalto a importância da análise do solo, que é uma prática econômica e eficiente de diagnose da fertilidade do solo, imprescindível para a recomendação de quantidades adequadas de corretivos e fertilizantes.

Abaixo, segue a tabela 1, com os limites de classes de teores no solo e a recomendação de aplicação de micronutrientes.

O uso de micronutrientes pode ocorrer via solo e via folha. Atualmente se aplica no sulco de plantio, no corte de soqueira junto com o inseticida para o controle do Sphenophorus ou nas aplicações de inseticidas, fungicidas e maturadores via folha

Os micronutrientes estão relacionados com o desenvolvimento e maturação da cana-de-açúcar. O boro é responsável pelo desenvolvimento das raízes e transporte de açúcares, o zinco está ligado à síntese de carboidratos e potencializa o hormônio de crescimento. O molibdênio aumenta a eficiência da adubação nitrogenada e a produção de sacarose. O manganês é responsável pela síntese de clorofila e desenvolvimento da raiz. O cobre é essencial no balanço dos nutrientes e auxilia na resistência de doenças.

Atualmente, com o maior número de estudos sobre micronutrientes, é muito recomendado o uso de boro e zinco principalmente em solos de média e baixa fertilidade que apresentam deficiências. O zinco devido à baixa mobilidade, quando aplicado próximo ao sistema radicular, possui maior eficiência. O boro é mais recomendado aplicar via folha junto com inseticidas, fungicidas ou maturadores. Aplicar 200 a 300 g/ha de boro e 300 a 500 g/ha de Zn para a produção aproximada de 100 toneladas de cana por hectare, sendo que essas quantidades podem ser parceladas.

O uso de molibdênio via foliar vem aumentando principalmente nas lavouras das unidades industriais com o objetivo de incrementos de produtividades. A aplicação é realizada com nitrogênio e molibdênio, na forma de molibdato de sódio. Exemplo: 55 kg/ha da fórmula 23-00-00 + 120 g/ha de Mo (molibdênio). O período para melhor resposta dessa aplicação via folha, é no início das águas, na fase de maior desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar, na primavera e verão. Apenas evitar a aplicação em canaviais estressados e escolher as áreas com maior potencial produtivo.

Pelas informações apresentadas, verifica-se que os micronutrientes devem ser utilizados de acordo com a necessidade e que é imprescindível realizar a análise de solo para que possamos realizar corretamente as recomendações. Importante dizer também que os produtores de cana-de-açúcar devem experimentar novas tecnologias visando atingir patamares mais altos de produtividade e maior rentabilidade da sua produção e que o uso de micronutrientes pode auxiliar de forma positiva.

Lembrando que, caso de dúvidas, um engenheiro agrônomo da Canaoeste pode fornecer maiores esclarecimentos. Bibliografias Consultadas MALAVOLTA, E. et al. Avaliação do estado nutricional das plantas: princípios e aplicações. 2. ed. Piracicaba: Potafos, 1997. 319 p.  

Por: Alessandra Durigan – gestora técnica da Canaoeste

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