Levantamentos de campo após a colheita: práticas que podem aumentar a rentabilidade do canavial

13/10/2020 08:22

De acordo com o levantamento realizado pela Conab (2020), a produtividade média dos canaviais na região Sudeste do país na safra 19/20 foi de 79,81 t/ha. Muitos fatores influenciam na produtividade agrícola, sendo destaques o clima e o manejo da cultura. Com o aumento crescente do custo de produção nos últimos anos, os agricultores buscam melhores produtividades com o objeto de otimizar o processo e assim garantir bons resultados.

A produtividade da cana-de-açúcar é resultado, principalmente, do manejo adotado, clima, solo e época de colheita. Vale dizer que nos últimos anos as mudanças climáticas globais estão afetando diretamente a produtividade da cana-de-açúcar.

Com o advento da colheita mecanizada, as operações realizadas no canavial vêm sofrendo adaptações, elevando muitas vezes os custos de produção. Dessa forma, para otimizar e racionalizar as operações é recomendado realizar levantamentos nos talhões após a colheita e, assim, adotar os manejos necessários de acordo com os dados levantados.

Os levantamentos de campo possibilitam aumentar a produtividade e a longevidade do canavial, desde que o manejo realizado seja de acordo com as necessidades da cultura. Eles possibilitam também conhecer os impedimentos biológicos, físicos e químicos dos talhões, agregando um manejo correto e seguro. Os levantamentos de campo geram informações para dar suporte à tomada de decisão, garantindo melhores resultados e eficiências operacional e econômica.

Os levantamentos recomendados após a colheita da cana-de-açúcar são:

1) Amostra de solo

Atualmente, a adubação é uma das práticas que tem maior representatividade no custo de produção da cultura da cana-de-açúcar.
A amostragem de solo é um levantamento que permite, através dos resultados da análise, avaliar as suas propriedades químicas. É uma ferramenta simples, econômica e eficiente de diagnose da fertilidade do solo e constitui uma base imprescindível para a recomendação de quantidades adequadas de corretivos e fertilizantes.

A amostragem consiste em dividir a área em glebas homogêneas. São coletadas porções de terra (subamostras) em locais diferentes e ao acaso, realizando o caminhar em zigue-zague de forma a percorrer toda a área. Geralmente são coletadas de dez a 12 subamostras por gleba/talhão. O solo coletado de cada um desses locais (subamostras) deverá ser colocado em recipiente limpo, devendo ser bem misturado. Posteriormente, coleta-se uma amostra de cerca de meio quilo, que será acondicionada em sacos plásticos devidamente identificados.

Uma ferramenta moderna de manejo é a Agricultura de Precisão (AP), que nos últimos anos vem se destacando no mercado. Na AP, as amostragens de solo são georreferenciadas, o que possibilita um mapeamento mais preciso das áreas em relação à fertilidade do solo e, portanto, racionaliza as operações a serem realizadas.

Foto: Amostragem de solo, com trado.

2) Levantamento de pragas de solo

As pragas na cultura da cana-de-açúcar são fatores limitantes para a produção, pois se não controladas, os prejuízos econômicos serão expressivos.

O uso incorreto de inseticidas pode favorecer o aumento das pragas e/ou não trazer um controle eficiente. Dessa forma, o levantamento de pragas de solo é uma ferramenta importante que ajuda na tomada de decisão. Permite conhecer as espécies e quantificar as pragas de solo presentes nos talhões que estão causando prejuízos à cultura e, assim, adotar as estratégias necessárias para o controle.

Devem-se abrir trincheiras (50x50x30cm) em pontos aleatórios nos talhões, retirar as soqueiras dessas trincheiras, avaliar os danos e quantificar as formas biológicas das pragas.

A principais pragas de solos encontradas são Sphenophorus, Migdolus, Cupins, Hyponeuma, Migdolus, Metamasius, entre outras.

Foto: Cupim no tolete de cana soca. 
Foto: Larva de Metamasius. 
Foto: Adulto de Sphenophorus levis.
Foto: Larva de Hyponeuma taltula. 

3) Avaliação de plantas daninhas

As plantas daninhas, quando existentes no canavial, competem por luz, água e nutrientes. Não é interessante a presença de plantas daninhas devido aos prejuízos que podem ocorrer. Assim, o produtor deve fazer o controle das plantas daninhas existentes e uma das formas de realizar o manejo eficiente é através do levantamento das espécies, o que permite conhecer a flora infestante.

É necessário deixar áreas testemunhas, ou seja, sem a aplicação de herbicidas, dentro dos talhões para realizar a avaliação.

Através de escala visual é dada uma nota de 0 a 100 em relação ao percentual de cobertura da planta daninha no solo. Em seguida, deve-se avaliar as espécies predominantes e depois analisar as demais espécies; relacionar os herbicidas que controlam as espécies predominantes, de acordo com suas características físico-químicas e, após, os herbicidas que controlam as demais espécies. Dessa forma, poderá associar herbicidas de acordo com o tipo de solo e época de controle.

Nos primeiros 120 dias após o plantio da cana e 90 dias após a colheita da cana soca não deve existir competição com plantas daninhas. Assim, é preciso avaliar o período residual dos herbicidas e a necessidade de associar outros tipos de controles para garantir que a cana tenha um desenvolvimento pleno, sem competição.

Foto: Planta daninha (mamoma) em cana soca. 
Foto: Planta daninha (buva) em soqueira. 

4) Compactação do solo

Foto: Penetrômetro de impacto 
Foto: Penetrômetro de impacto 

A compactação acontece devido ao trânsito de maquinários e implementos nos talhões, criando uma camada de impedimento físico. Como consequência, ocorre a redução da qualidade física do solo, comprometendo o crescimento das raízes e desenvolvimento das plantas.
O penetrômetro de impacto permite mensurar a resistência do solo em função da penetração da haste. Através dos resultados obtidos no campo e da confecção de gráficos, é possível verificar a localização das camadas compactadas e adotar estratégias de manejo necessárias para romper essa barreira no solo.

O ideal é que os levantamentos sejam realizados por talhão ou em pelo menos 50% deles. Com os dados planilhados é possível adotar manejos mais eficientes.

Escrito por: Daniela Aragão Bacil – Agrônoma da Canaoeste de Pontal 

Deixe seu comentário