Reduzir custos e aumentar a produtividade - um desafio, mas não uma missão impossível

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04/01/2018

Por: Fernanda Clariano

A redução dos custos e o aumento da produtividade é algo que deve estar sempre em pauta, sobretudo em tempos de competitividade crescente. Desenvolver estratégias para reduzir os gastos, otimizar ferramentas e o tempo são fatores que influenciam diretamente nos resultados financeiros. O grande desafio, no entanto, é definir os melhores caminhos, estratégias e soluções.

Com o intuito de contribuir com o setor por meio de informações valiosas que levem as empresas a iniciarem um novo ciclo de recuperação e de crescimento, o Grupo Idea realizou em Ribeirão Preto-SP a 16ª edição do Seminário de Produtividade e Redução de Custos da Agroindústria Canavieira. O evento aconteceu nos dias 6 e 7 de dezembro e reuniu cerca de 280 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento.

Em seu discurso de abertura, o diretor do Grupo Idea e idealizador do evento, Dib Nunes, lembrou que nenhum outro setor da economia nacional é tão resistente quanto o setor canavieiro. “Já passamos por muita coisa e ainda estamos na luta resistindo aos desafios. Sobrevivemos ao congelamento de preços de combustíveis por quase seis longos anos, fomos discriminados com o estímulo do consumo da gasolina e com a retirada de carga tributária deste combustível e continuamos. Em 2016, foram produzidos 650 milhões de toneladas de cana em todo o país, o que resultou em 27 bilhões de litros de etanol e cerca de 37 milhões de toneladas de açúcar. Estamos saindo da crise que nos impuseram e vamos sair mais fortes, pois muitas novidades tecnológicas deverão impulsionar o setor daqui para frente. O RenovaBio também vem aí para nos ajudar a regularizar o comércio e a incentivar o uso do etanol no país”, disse Nunes.

Mercado de etanol e açúcar


Nos últimos anos, o setor de combustíveis passou por um período tumultuado e consequentemente o setor da cana-de-açúcar atravessou uma crise acentuada. Porém, no ano passado houve uma condição de mercado e algumas mudanças favoreceram o aumento da receita. De acordo com gerente de economia e análise setorial da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Luciano Rodigues,nos últimos dois anos, houve uma melhora na receita da indústria em função de uma condição mais adequada do mercado internacional de açúcar e de uma mudança no mercado de combustíveis, com destaque para a nova política de precificação da Petrobras, que começou a vincular o preço da gasolina nas cotações internacionais do petróleo. “Foram dois anos de preços mais remuneradores e a característica negativa desses dois anos é que estamos ainda ‘engatinhando’ em produtividade, em função de todos os anos de crise que inviabilizaram a realização de manejos adequados e renovação de canaviais”, ponderou Rodrigues.

O RenovaBio, projeto de Lei aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, também foi contextualizado pelo executivo. O projeto determina que em seis meses tenham que ser definidas metas que terão dois anos para a regulamentação completa do programa. Em linhas gerais o programa estabelece três elementos importantes para o setor de biocombustíveis e em especial para o setor de cana-de-açúcar.

O primeiro deles é a definição de uma meta de descarbonização para os próximos dez anos. “Ao estabelecer uma meta, temos uma diretriz muito clara sobre qual vai ser o papel dos biocombustíveis no mercado brasileiro nos próximos 10 anos, isso é fundamental para nortear investimentos”, disse Rodrigues.

O segundo está associado ao reconhecimento do papel dos biocombustíveis no processo de descarbonização. “Sabemos que os biocombustíveis promovem redução de emissões. Estamos num mundo em que se discute como reduzir emissão de gás do efeito estufa e dentro do RenovaBio há um papel denominado CBio que quantifica esse benefício gerado pelos biocombustíveis”, citou Rodrigues.

O terceiro elemento mencionado por Rodrigues refere-se ao mecanismo de indução a ganhos de eficiência ambiental e consequentemente econômica. “Na medida em que cada biocombustível vai ter o seu reconhecimento atrelado ao seu nível de eficiência energética ambiental, temos uma indução para que os produtores busquem implementar práticas e tecnologias que reduzam ainda mais a emissão dos biocombustíveis e promovam maior ganho de eficiência ambiental e econômica. Este foi um passo fundamental para que tenhamos um desenho de médio a longo prazo para os biocombustíveis no Brasil, explicou Rodrigues.

“O mercado do biocombustível não começou o ano de forma positiva, mas estamos terminando o ano muito bem”, essa foi a afirmação do diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, ao apresentar as perspectivas sobre o mercado de etanol. “Os preços de gasolina ainda não haviam entrado na nova política da Petrobras. Mas, quando a companhia começou a aplicar os preços internacionais e houve um rearranjo tributário, que aumentou a competitividade do etanol na bomba, o biocombustível foi beneficiado”.  ORenovaBio também foi destacado por Rodrigues, segundo ele, existem muitos desafios pela frente, pois é preciso superar algumas barreiras como o entendimento real do seu papel. “Existem prós e contras. O setor precisa saber se comunicar, saber como informar a população que este é um programa positivo para o país e não uma série de subsídios ou de intervenção, e sim, algo de longo prazo que vai realmente aumentar a matriz de combustíveis no país”,avaliou o diretor da Bioagência.

Já o mercado de açúcar foi enfatizado pelo trader da Sucden, Eduardo Costa Carvalho. As análises apresentadas mostraram que o consumo está sob ameaça em função dos preços de 2016 e das políticas públicas contra o açúcar. De acordo com o executivo, a produção tem aumentado na maioria dos grandes produtores em 2017/18, como Índia, União Europeia e Brasil - já considerando uma possível quebra da safra e ajuste no mix devido à paridade – e também no Paquistão, China, Tailândia, Austrália e Argentina. O superávit para 17/18 é estimado em 4,5 milhões de toneladas.

A previsão da Sucden para o Centro-Sul do Brasil é de produtividade da cana acima das expectativas, porém, o inverno mais seco reduziu a produtividade no último terço da safra e até mesmo para o próximo ano. Nota-se neste momento, cana com boas condições vegetativas, mas aparentemente com menor crescimento.

O mix de produção do etanol deve reagir e atingir 53,4%, ainda assim, a produção em 17/18 deve atingir 35,5milhões de toneladas, aproximadamente 700k tm acima do último ano. Outros elementos: Chuvas final de safra, já existem unidades que encerraram a safra deixando cana bisada. Renovação 12/15% para próxima safra.


Já o rendimento da cana de açúcar na região NNE foi novamente atingido pelo clima desfavorável. O ATR estimado é alto, 132,5 Kg/tm, devido ao tempo seco, porém abaixo da safra passada. O mix deve favorecer o açúcar, em 52,5%, apesar da paridade estar positiva para etanol. A produção total de açúcar deve atingir 2,9 milhões de toneladas, um volume baixo para região e ainda menor que a safra anterior.

Os custos e as tecnologias


Como fazer o uso dos bioestimulantes buscando a redução de custos? O tema foi apresentado no 16º Seminário de Produtividade e Redução de Custos pelo professor da Universidade Federal de Uberlância,Gaspar Korndorfer. De acordo com Korndorfer, na parte de adubação há a possibilidade com o manejo de bioestimulantes aumentar a eficiência dos fertilizantes de um modo geral promovendo uma melhor utilização dos nutrientes utilizados na adubação, assim como, o uso desses bioestimulantes na produtividade da cana buscando melhor enraizamento e perfilhamento e, sobretudo maior produtividade em condições de maior intensidade de estresse. “Existe grande diferença entre as variedades de cana em relação a resposta ao uso de bioestimulantes. O comportamento dos bioestimulantes depende da dosagem, época de aplicação e tipo de mistura, volume de calda, pH da calda, tempo de permanência sobre o tolete ou folha, é recomendável que se faça o uso de bioestimulantes (enraizadores) especialmente nos períodos de baixas temperaturas (ex: plantio de inverno), baixa umidade no solo e cana submetida à condições de alto estresse”, explicou o professor. 

Já a evolução dos custos de produção na safra atual comparada com os últimos ciclosfoi discorrida pelo diretor da Sucrotec, Francisco Oscar Louro Fernandes. Segundo ele, foi observado que, devido à queda dos preços, principalmente do açúcar em 2017, houve uma redução nos custos de produção, principalmente na cana de fornecedor e arrendamentos.

Entretanto, outros custos tiveram elevação. A cana própria ficou cerca de 8% mais cara do que no ano passado, principalmente por conta da queda no rendimento agrícola. Já o custo industrial registrou aumento de 5%. “Na média geral, houve redução de 2% no custo de produção total por produto - saco de açúcar ou litro de etanol”.

Ações e alternativas para que o setor se recupere e melhore seus resultados 

“Muito mais do que apresentar o que o setor precisa fazer para se recuperar, é preciso primeiro sobreviver para depois expandir”, disse o vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho Deliberativo da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Pedro Mizutani quando indagado sobre o que o setor precisa para se recuperar? De acordo com ele, a nova realidade do setor sucroenergético exige mudanças para se manter na atividade e o novo ciclo de crescimento da produção dependerá de dois elementos fundamentais: manutenção do esforço do setor privado visando a novos ganhos de eficiência e produtividade e ambiente regulatório estável e políticas públicas consistentes. “Precisamos que haja modernização na forma de gerir a atividade, com foco em inovações tecnológicas, inclusive, com abertura para as soluções apresentadas pelasstartups”, pontuou Mizutani que também ressaltou “é fundamental reduzir o endividamento do setor, pois as dívidas impedem os gestores de realizarem o que é melhor para a empresa”, comentou o executivo. 

 
Para Dib Nunes algumas das principais causas dos baixos rendimentosse deve ao fato do setor ter expandido a sua produção rapidamente a partir de 2004 a 2009; a mão de obra se tornou ruim, escassa e problemática; a queima da cana foi gradativamente eliminada, fazendo com que houvesse obrigatória e rápida expansão da colheita mecanizada sem a devida preparação de mão de obra, sistematização dos canaviais, infraestrutura de apoio e gestão; houve uma explosão do plantio mecanizado, também sem a devida preparação; e as crises de preços do etanol e internacional do açúcar que duraram seis longos anos. “A somatória disso tudo abalou os investimentos nos canaviais e as usinas”, concluiu Nunes.

Fonte: Revista Canavieiros

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Reduzir custos e aumentar a produtividade - um desafio, mas não uma missão impossível

04/01/2018

Por: Fernanda Clariano

A redução dos custos e o aumento da produtividade é algo que deve estar sempre em pauta, sobretudo em tempos de competitividade crescente. Desenvolver estratégias para reduzir os gastos, otimizar ferramentas e o tempo são fatores que influenciam diretamente nos resultados financeiros. O grande desafio, no entanto, é definir os melhores caminhos, estratégias e soluções.

Com o intuito de contribuir com o setor por meio de informações valiosas que levem as empresas a iniciarem um novo ciclo de recuperação e de crescimento, o Grupo Idea realizou em Ribeirão Preto-SP a 16ª edição do Seminário de Produtividade e Redução de Custos da Agroindústria Canavieira. O evento aconteceu nos dias 6 e 7 de dezembro e reuniu cerca de 280 pessoas, entre produtores de cana, profissionais de usinas, pesquisadores, consultores e executivos de empresas ligadas ao segmento.

Em seu discurso de abertura, o diretor do Grupo Idea e idealizador do evento, Dib Nunes, lembrou que nenhum outro setor da economia nacional é tão resistente quanto o setor canavieiro. “Já passamos por muita coisa e ainda estamos na luta resistindo aos desafios. Sobrevivemos ao congelamento de preços de combustíveis por quase seis longos anos, fomos discriminados com o estímulo do consumo da gasolina e com a retirada de carga tributária deste combustível e continuamos. Em 2016, foram produzidos 650 milhões de toneladas de cana em todo o país, o que resultou em 27 bilhões de litros de etanol e cerca de 37 milhões de toneladas de açúcar. Estamos saindo da crise que nos impuseram e vamos sair mais fortes, pois muitas novidades tecnológicas deverão impulsionar o setor daqui para frente. O RenovaBio também vem aí para nos ajudar a regularizar o comércio e a incentivar o uso do etanol no país”, disse Nunes.

Mercado de etanol e açúcar


Nos últimos anos, o setor de combustíveis passou por um período tumultuado e consequentemente o setor da cana-de-açúcar atravessou uma crise acentuada. Porém, no ano passado houve uma condição de mercado e algumas mudanças favoreceram o aumento da receita. De acordo com gerente de economia e análise setorial da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Luciano Rodigues,nos últimos dois anos, houve uma melhora na receita da indústria em função de uma condição mais adequada do mercado internacional de açúcar e de uma mudança no mercado de combustíveis, com destaque para a nova política de precificação da Petrobras, que começou a vincular o preço da gasolina nas cotações internacionais do petróleo. “Foram dois anos de preços mais remuneradores e a característica negativa desses dois anos é que estamos ainda ‘engatinhando’ em produtividade, em função de todos os anos de crise que inviabilizaram a realização de manejos adequados e renovação de canaviais”, ponderou Rodrigues.

O RenovaBio, projeto de Lei aprovado recentemente na Câmara dos Deputados, também foi contextualizado pelo executivo. O projeto determina que em seis meses tenham que ser definidas metas que terão dois anos para a regulamentação completa do programa. Em linhas gerais o programa estabelece três elementos importantes para o setor de biocombustíveis e em especial para o setor de cana-de-açúcar.

O primeiro deles é a definição de uma meta de descarbonização para os próximos dez anos. “Ao estabelecer uma meta, temos uma diretriz muito clara sobre qual vai ser o papel dos biocombustíveis no mercado brasileiro nos próximos 10 anos, isso é fundamental para nortear investimentos”, disse Rodrigues.

O segundo está associado ao reconhecimento do papel dos biocombustíveis no processo de descarbonização. “Sabemos que os biocombustíveis promovem redução de emissões. Estamos num mundo em que se discute como reduzir emissão de gás do efeito estufa e dentro do RenovaBio há um papel denominado CBio que quantifica esse benefício gerado pelos biocombustíveis”, citou Rodrigues.

O terceiro elemento mencionado por Rodrigues refere-se ao mecanismo de indução a ganhos de eficiência ambiental e consequentemente econômica. “Na medida em que cada biocombustível vai ter o seu reconhecimento atrelado ao seu nível de eficiência energética ambiental, temos uma indução para que os produtores busquem implementar práticas e tecnologias que reduzam ainda mais a emissão dos biocombustíveis e promovam maior ganho de eficiência ambiental e econômica. Este foi um passo fundamental para que tenhamos um desenho de médio a longo prazo para os biocombustíveis no Brasil, explicou Rodrigues.

“O mercado do biocombustível não começou o ano de forma positiva, mas estamos terminando o ano muito bem”, essa foi a afirmação do diretor da Bioagência, Tarcilo Rodrigues, ao apresentar as perspectivas sobre o mercado de etanol. “Os preços de gasolina ainda não haviam entrado na nova política da Petrobras. Mas, quando a companhia começou a aplicar os preços internacionais e houve um rearranjo tributário, que aumentou a competitividade do etanol na bomba, o biocombustível foi beneficiado”.  ORenovaBio também foi destacado por Rodrigues, segundo ele, existem muitos desafios pela frente, pois é preciso superar algumas barreiras como o entendimento real do seu papel. “Existem prós e contras. O setor precisa saber se comunicar, saber como informar a população que este é um programa positivo para o país e não uma série de subsídios ou de intervenção, e sim, algo de longo prazo que vai realmente aumentar a matriz de combustíveis no país”,avaliou o diretor da Bioagência.

Já o mercado de açúcar foi enfatizado pelo trader da Sucden, Eduardo Costa Carvalho. As análises apresentadas mostraram que o consumo está sob ameaça em função dos preços de 2016 e das políticas públicas contra o açúcar. De acordo com o executivo, a produção tem aumentado na maioria dos grandes produtores em 2017/18, como Índia, União Europeia e Brasil - já considerando uma possível quebra da safra e ajuste no mix devido à paridade – e também no Paquistão, China, Tailândia, Austrália e Argentina. O superávit para 17/18 é estimado em 4,5 milhões de toneladas.

A previsão da Sucden para o Centro-Sul do Brasil é de produtividade da cana acima das expectativas, porém, o inverno mais seco reduziu a produtividade no último terço da safra e até mesmo para o próximo ano. Nota-se neste momento, cana com boas condições vegetativas, mas aparentemente com menor crescimento.

O mix de produção do etanol deve reagir e atingir 53,4%, ainda assim, a produção em 17/18 deve atingir 35,5milhões de toneladas, aproximadamente 700k tm acima do último ano. Outros elementos: Chuvas final de safra, já existem unidades que encerraram a safra deixando cana bisada. Renovação 12/15% para próxima safra.


Já o rendimento da cana de açúcar na região NNE foi novamente atingido pelo clima desfavorável. O ATR estimado é alto, 132,5 Kg/tm, devido ao tempo seco, porém abaixo da safra passada. O mix deve favorecer o açúcar, em 52,5%, apesar da paridade estar positiva para etanol. A produção total de açúcar deve atingir 2,9 milhões de toneladas, um volume baixo para região e ainda menor que a safra anterior.

Os custos e as tecnologias


Como fazer o uso dos bioestimulantes buscando a redução de custos? O tema foi apresentado no 16º Seminário de Produtividade e Redução de Custos pelo professor da Universidade Federal de Uberlância,Gaspar Korndorfer. De acordo com Korndorfer, na parte de adubação há a possibilidade com o manejo de bioestimulantes aumentar a eficiência dos fertilizantes de um modo geral promovendo uma melhor utilização dos nutrientes utilizados na adubação, assim como, o uso desses bioestimulantes na produtividade da cana buscando melhor enraizamento e perfilhamento e, sobretudo maior produtividade em condições de maior intensidade de estresse. “Existe grande diferença entre as variedades de cana em relação a resposta ao uso de bioestimulantes. O comportamento dos bioestimulantes depende da dosagem, época de aplicação e tipo de mistura, volume de calda, pH da calda, tempo de permanência sobre o tolete ou folha, é recomendável que se faça o uso de bioestimulantes (enraizadores) especialmente nos períodos de baixas temperaturas (ex: plantio de inverno), baixa umidade no solo e cana submetida à condições de alto estresse”, explicou o professor. 

Já a evolução dos custos de produção na safra atual comparada com os últimos ciclosfoi discorrida pelo diretor da Sucrotec, Francisco Oscar Louro Fernandes. Segundo ele, foi observado que, devido à queda dos preços, principalmente do açúcar em 2017, houve uma redução nos custos de produção, principalmente na cana de fornecedor e arrendamentos.

Entretanto, outros custos tiveram elevação. A cana própria ficou cerca de 8% mais cara do que no ano passado, principalmente por conta da queda no rendimento agrícola. Já o custo industrial registrou aumento de 5%. “Na média geral, houve redução de 2% no custo de produção total por produto - saco de açúcar ou litro de etanol”.

Ações e alternativas para que o setor se recupere e melhore seus resultados 

“Muito mais do que apresentar o que o setor precisa fazer para se recuperar, é preciso primeiro sobreviver para depois expandir”, disse o vice-presidente de Relações Externas e Estratégia da Raízen e presidente do Conselho Deliberativo da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Pedro Mizutani quando indagado sobre o que o setor precisa para se recuperar? De acordo com ele, a nova realidade do setor sucroenergético exige mudanças para se manter na atividade e o novo ciclo de crescimento da produção dependerá de dois elementos fundamentais: manutenção do esforço do setor privado visando a novos ganhos de eficiência e produtividade e ambiente regulatório estável e políticas públicas consistentes. “Precisamos que haja modernização na forma de gerir a atividade, com foco em inovações tecnológicas, inclusive, com abertura para as soluções apresentadas pelasstartups”, pontuou Mizutani que também ressaltou “é fundamental reduzir o endividamento do setor, pois as dívidas impedem os gestores de realizarem o que é melhor para a empresa”, comentou o executivo. 

 
Para Dib Nunes algumas das principais causas dos baixos rendimentosse deve ao fato do setor ter expandido a sua produção rapidamente a partir de 2004 a 2009; a mão de obra se tornou ruim, escassa e problemática; a queima da cana foi gradativamente eliminada, fazendo com que houvesse obrigatória e rápida expansão da colheita mecanizada sem a devida preparação de mão de obra, sistematização dos canaviais, infraestrutura de apoio e gestão; houve uma explosão do plantio mecanizado, também sem a devida preparação; e as crises de preços do etanol e internacional do açúcar que duraram seis longos anos. “A somatória disso tudo abalou os investimentos nos canaviais e as usinas”, concluiu Nunes.