O Agronegócio Como Contrapeso
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Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*
Com a economia dando sinais de desaceleração, torna-se mais evidente que o agronegócio é o contrapeso nessa tendência de queda nos níveis de emprego e das vendas externas. É claro que o setor também sofre os efeitos da turbulência financeira, sobretudo em relação à elevação nos custos de financiamentos para a produção e exportação, mas se mantém como o fiel da balança da economia.
Levantamento feito pela Secretaria Estadual de Emprego e Relações do Trabalho mostrou que 285.532 empregos formais foram perdidos em todo o Estado no mês de dezembro, 44% deles na indústria de transformação. A maior parte das demissões está nas regiões com perfil mais industrial, como a Região Metropolitana de São Paulo e a da Grande Campinas. O agronegócio foi o que menos perdeu vagas. Foram 65.574 vagas eliminadas em dezembro do ano passado, comparadas às 76.312 extintas no mesmo período um ano antes.
Em relação à balança comercial brasileira, pela primeira vez desde março de 2001, o resultado foi deficitário: o Brasil importou mais (US$ 9,7 bilhões) do que exportou (US$ 10,3 bilhões), no mês de janeiro. O resultado foi devido à queda nos embarques de automóveis, autopeças, aparelhos retransmissores e receptores e pneumáticos.
Por outro lado, as exportações de açúcar refinado cresceram 19,3%, as de etanol 7,1%, as de soja em grão subiram 18,7%, as de farelo de soja 46,4% e as de milho 254,9%. Embora o Ministério da Agricultura não tenha divulgado ainda os resultados da balança comercial do setor em janeiro, as estimativas oficiais apontam para uma queda na receita anual em dólar: dos US$ 71,8 bilhões de 2008 para US$ 63,4 bilhões neste ano.
No entanto, a queda na receita em moeda americana acaba sendo compensada na conversão para o real: na simulação do Ministério da Agricultura os US$ 63,4 bilhões corresponderão a R$ 145,9 bilhões, considerando o preço médio do dólar em R$ 2,30, enquanto a receita do ano passado tenha sido equivalente a R$ 113,8 bilhões com o dólar médio valendo R$ 1,82. Assim, mesmo que haja redução no volume exportado, o agronegócio continuará sendo um apoio importante para a economia como um todo.
Primeiro, que a demanda por alimentos é crescente e os preços no mercado externo devem ser mantidos em patamares interessantes para o Brasil, já que permanecem como fatores fundamentais o aumento da demanda na Ásia, o impacto da produção de biocombustíveis sobre o de commodities, estoques reduzidos e a questão das mudanças climáticas globais. E, segundo, a safra brasileira não será recorde, mas segue firme: está estimada em 134,7 milhões de toneladas, segundo o novo levantamento da Conab.
Por esse desempenho, o agronegócio consolida-se como estratégico principalmente em momentos de crise, como esse. No entanto, pouco tem sido feito para estimular e proteger o setor. Pelo contrário: já que o agronegócio se garante, é preferível ajudar outros ramos, como o financeiro e as montadoras, por exemplo. É assim que devem pensar nossos governantes.
*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)
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