Horizontes abertos em 2010

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30/12/2009

Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

Dois mil e nove não foi um ano fácil. Começou sob um prenúncio de tempestade, provocada pela ameaça de que crise econômica mundial pudesse respingar no Brasil. E, de fato, houve reflexos - como a redução nos indicadores de emprego, perda de arrecadação, queda na atividade industrial – que só não foram piores porque o governo, estimulado pelo calendário eleitoral, fez uma série de desonerações para estimular o consumo e porque a economia brasileira se mostrou mais sólida do que nas crises anteriores.

Assim, para a economia em geral a recuperação dos indicadores tomou força em meados do segundo semestre e o ano termina melhor do que começou, felizmente. Já em novembro, a arrecadação federal foi de R$ 72,090 bilhões, 26,9% acima da do mesmo mês do ano anterior. E as vendas de Natal surpreenderam e foram 11,26% maiores. Nesse ritmo, o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 deverá ser positivo e o de 2010 está estimado em 5%.

No entanto, em alguns setores da economia os impactos da crise foram mais intensos. No agronegócio, por exemplo, o PIB de 2009 deverá atingir R$ 709,3 bilhões, 7,2% menor do que os R$ 764,6 bilhões de 2008, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e CEPEA/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo).

Houve retração na produção de grãos e fibras – de 144 milhões de toneladas para 134 milhões/toneladas –, problemas climáticos e queda nos preços das commodities agrícolas nos mercados internacionais. Para o próximo ano, os indicativos são melhores: segundo a Conab, o Brasil deverá colher 140,5 milhões de toneladas, a segunda maior da história, atrás apenas da safra 2007/08, quando foram colhidas 144 milhões/toneladas de grãos.

O setor sucroenergético também sentiu o baque. As unidades industriais vinham bastante alavancadas, fortemente dependentes de crédito para seus projetos de expansão. Como a crise tornou o dinheiro escasso e caro, parte dos investimentos do setor foi adiado ou suspenso. E houve efeito dominó em toda a cadeia produtiva: encomendas de peças e serviços foram suspensas, houve queda nos níveis de emprego.

Chegou-se ao ponto em que dez unidades industriais da região atrasavam o pagamento dos fornecedores independentes de cana, piorando a situação desses produtores, que já vinham de duas safras com os preços da matéria-prima abaixo dos custos de produção. E ainda, esta safra teve mais um agravante: chuvas acima da média em outubro e setembro, atrasando a moagem.

No entanto, a recuperação dos preços do açúcar, por conta de um déficit de 7 milhões de toneladas no âmbito mundial, e a forte demanda do etanol no mercado doméstico, serviram de alento. Todas essas indústrias que estavam em dificuldades conseguiram iniciar a moagem e hoje estão honrando os seus compromissos. Assim como se costuma dizer “cada safra é uma safra”, a de 2010/11 deverá ser melhor, já que os fundamentos do setor estão em ordem: os preços devem ser remuneradores e a demanda seguirá firme.

Pelo menos vamos começar 2010 mais otimistas e com os horizontes mais abertos do que quando iniciamos 2009, que foi um ano de muitas incertezas e temores. Que tenhamos um Ano Novo de boas notícias para todos os setores. É que desejamos a todos que nos prestigiaram com o privilégio de sua leitura: um feliz e próspero 2010.

*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)

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Horizontes abertos em 2010

30/12/2009

Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

Dois mil e nove não foi um ano fácil. Começou sob um prenúncio de tempestade, provocada pela ameaça de que crise econômica mundial pudesse respingar no Brasil. E, de fato, houve reflexos - como a redução nos indicadores de emprego, perda de arrecadação, queda na atividade industrial – que só não foram piores porque o governo, estimulado pelo calendário eleitoral, fez uma série de desonerações para estimular o consumo e porque a economia brasileira se mostrou mais sólida do que nas crises anteriores.

Assim, para a economia em geral a recuperação dos indicadores tomou força em meados do segundo semestre e o ano termina melhor do que começou, felizmente. Já em novembro, a arrecadação federal foi de R$ 72,090 bilhões, 26,9% acima da do mesmo mês do ano anterior. E as vendas de Natal surpreenderam e foram 11,26% maiores. Nesse ritmo, o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009 deverá ser positivo e o de 2010 está estimado em 5%.

No entanto, em alguns setores da economia os impactos da crise foram mais intensos. No agronegócio, por exemplo, o PIB de 2009 deverá atingir R$ 709,3 bilhões, 7,2% menor do que os R$ 764,6 bilhões de 2008, segundo a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e CEPEA/USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo).

Houve retração na produção de grãos e fibras – de 144 milhões de toneladas para 134 milhões/toneladas –, problemas climáticos e queda nos preços das commodities agrícolas nos mercados internacionais. Para o próximo ano, os indicativos são melhores: segundo a Conab, o Brasil deverá colher 140,5 milhões de toneladas, a segunda maior da história, atrás apenas da safra 2007/08, quando foram colhidas 144 milhões/toneladas de grãos.

O setor sucroenergético também sentiu o baque. As unidades industriais vinham bastante alavancadas, fortemente dependentes de crédito para seus projetos de expansão. Como a crise tornou o dinheiro escasso e caro, parte dos investimentos do setor foi adiado ou suspenso. E houve efeito dominó em toda a cadeia produtiva: encomendas de peças e serviços foram suspensas, houve queda nos níveis de emprego.

Chegou-se ao ponto em que dez unidades industriais da região atrasavam o pagamento dos fornecedores independentes de cana, piorando a situação desses produtores, que já vinham de duas safras com os preços da matéria-prima abaixo dos custos de produção. E ainda, esta safra teve mais um agravante: chuvas acima da média em outubro e setembro, atrasando a moagem.

No entanto, a recuperação dos preços do açúcar, por conta de um déficit de 7 milhões de toneladas no âmbito mundial, e a forte demanda do etanol no mercado doméstico, serviram de alento. Todas essas indústrias que estavam em dificuldades conseguiram iniciar a moagem e hoje estão honrando os seus compromissos. Assim como se costuma dizer “cada safra é uma safra”, a de 2010/11 deverá ser melhor, já que os fundamentos do setor estão em ordem: os preços devem ser remuneradores e a demanda seguirá firme.

Pelo menos vamos começar 2010 mais otimistas e com os horizontes mais abertos do que quando iniciamos 2009, que foi um ano de muitas incertezas e temores. Que tenhamos um Ano Novo de boas notícias para todos os setores. É que desejamos a todos que nos prestigiaram com o privilégio de sua leitura: um feliz e próspero 2010.

*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)