EXCLUSIVO-Biosev negocia a venda de mais usinas de cana, dizem fontes; ações disparam

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23/10/2018

Por Marcelo Teixeira e Tatiana Bautzer
SÃO PAULO (Reuters) - A Biosev, empresa brasileira produtora de açúcar e etanol controlada pela trading global de commodities Louis Dreyfus, está negociando a venda de mais usinas no Brasil, a fim de reduzir dívidas, disseram duas fontes com conhecimento do assunto à Reuters nesta segunda-feira.
A Biosev, que anunciou a venda de uma usina de açúcar e etanol no mês passado, contratou a divisão de serviços financeiros da consultoria Datagro e a unidade de investimento do Santander Brasil para auxiliá-la no processo de venda de outras usinas, disseram as fontes.
As ações da Biosev avançam 37 por cento nesta segunda-feira, chegando a 4,54 reais, sua máxima em sete meses. As negociações do papel superaram em mais de cinco vezes o volume do último pregão, que já tinha sido mais forte do que a média.
O movimento de venda de ativos acontece sete meses depois que a Louis Dreyfus socorreu a unidade com uma injeção de capital de 1,05 bilhão de dólares e se segue à saída de Rui Chammas da presidência da Biosev, que foi substituído por Juan José Blanchard, em julho.
"Sim, há um processo de venda de ativos em andamento", disse uma das fontes, que pediu anonimato porque as negociações são privadas.
A fonte disse que os mandatos incluíam a venda de "algumas usinas", mas não quis dizer quantas ou dar a localização das unidades.
Biosev e Datagro se recusaram a comentar.
Há um mês, a Biosev anunciou a venda da unidade Estivas, no Rio Grande do Norte, por 203,6 milhões de reais para o grupo local Pipa Agroindustrial.
Na época, o diretor financeiro da Biosev, Gustavo Lopes Theodozio, disse à Reuters que a companhia planejava usar o valor conseguido na venda para pagar dívidas que não estavam inclusas em recente reestruturação financeira.
A injeção de capital da Louis Dreyfus elevou acentuadamente a sua participação na empresa, superando os 90 por cento.
A Biosev reportou uma perda de 506 milhões de reais no trimestre terminado em junho, ante 577 milhões de reais no ano anterior. A dívida da companhia aumentou para 6,28 bilhões de reais no fim de junho.
Uma segunda fonte, que também está familiarizada com o processo de reestruturação na Biosev, disse à Reuters que a empresa está tentando vender uma unidade na região Centro-Oeste do Brasil, uma fronteira relativamente nova para as empresas de açúcar, e outra no Estado de São Paulo, tradicional e maior produtor de cana do país.
A Biosev possui uma grande usina desativada em Mato Grosso do Sul, a usina de Maracaju, cujas operações foram interrompidas no final do ano passado.
No total, considerando a usina de Maracaju, a Biosev possui nove usinas no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar.
Também opera um terminal de exportação de açúcar no Guarujá (SP).
As fontes não quiseram dizer se algum acordo já havia sido assinado, considerando o aumento de ações visto nesta segunda-feira.
(Com reportagem adicional de Paula Arend Laier) 

Fonte: extra.globo.com

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EXCLUSIVO-Biosev negocia a venda de mais usinas de cana, dizem fontes; ações disparam

23/10/2018

Por Marcelo Teixeira e Tatiana Bautzer
SÃO PAULO (Reuters) - A Biosev, empresa brasileira produtora de açúcar e etanol controlada pela trading global de commodities Louis Dreyfus, está negociando a venda de mais usinas no Brasil, a fim de reduzir dívidas, disseram duas fontes com conhecimento do assunto à Reuters nesta segunda-feira.
A Biosev, que anunciou a venda de uma usina de açúcar e etanol no mês passado, contratou a divisão de serviços financeiros da consultoria Datagro e a unidade de investimento do Santander Brasil para auxiliá-la no processo de venda de outras usinas, disseram as fontes.
As ações da Biosev avançam 37 por cento nesta segunda-feira, chegando a 4,54 reais, sua máxima em sete meses. As negociações do papel superaram em mais de cinco vezes o volume do último pregão, que já tinha sido mais forte do que a média.
O movimento de venda de ativos acontece sete meses depois que a Louis Dreyfus socorreu a unidade com uma injeção de capital de 1,05 bilhão de dólares e se segue à saída de Rui Chammas da presidência da Biosev, que foi substituído por Juan José Blanchard, em julho.
"Sim, há um processo de venda de ativos em andamento", disse uma das fontes, que pediu anonimato porque as negociações são privadas.
A fonte disse que os mandatos incluíam a venda de "algumas usinas", mas não quis dizer quantas ou dar a localização das unidades.
Biosev e Datagro se recusaram a comentar.
Há um mês, a Biosev anunciou a venda da unidade Estivas, no Rio Grande do Norte, por 203,6 milhões de reais para o grupo local Pipa Agroindustrial.
Na época, o diretor financeiro da Biosev, Gustavo Lopes Theodozio, disse à Reuters que a companhia planejava usar o valor conseguido na venda para pagar dívidas que não estavam inclusas em recente reestruturação financeira.
A injeção de capital da Louis Dreyfus elevou acentuadamente a sua participação na empresa, superando os 90 por cento.
A Biosev reportou uma perda de 506 milhões de reais no trimestre terminado em junho, ante 577 milhões de reais no ano anterior. A dívida da companhia aumentou para 6,28 bilhões de reais no fim de junho.
Uma segunda fonte, que também está familiarizada com o processo de reestruturação na Biosev, disse à Reuters que a empresa está tentando vender uma unidade na região Centro-Oeste do Brasil, uma fronteira relativamente nova para as empresas de açúcar, e outra no Estado de São Paulo, tradicional e maior produtor de cana do país.
A Biosev possui uma grande usina desativada em Mato Grosso do Sul, a usina de Maracaju, cujas operações foram interrompidas no final do ano passado.
No total, considerando a usina de Maracaju, a Biosev possui nove usinas no Brasil, o maior produtor mundial de açúcar.
Também opera um terminal de exportação de açúcar no Guarujá (SP).
As fontes não quiseram dizer se algum acordo já havia sido assinado, considerando o aumento de ações visto nesta segunda-feira.
(Com reportagem adicional de Paula Arend Laier)