Doenças da Cana

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16/05/2013

Manejo das principais Doenças da Cana-de-Açúcar

Várias doenças podem afetar a cultura da cana-de-açúcar, algumas de maior importância atualmente e outras potenciais, podendo causar sérios prejuízos a cultura.
A maioria das doenças que ocorrem em cana-de-açúcar, é controlada através do melhoramento genético, isto é, os Programas de Melhoramento, através de Cruzamentos (Hibridação), incorporam resistência genética às principais doenças nas novas variedades de cana desenvolvidas. Propagada vegetativamente, ocupando áreas continuas e extensas, a cana se expõe com mais facilidade a patógenos importantes. É praticamente impossível desenvolver uma variedade que englobe todas as características desejáveis, portanto, algumas práticas de controle, como por exemplo o roguing, se fazem necessário para que os prejuízos causados sejam menores. Vale ressaltar, que exceto para o controles de ferrugens, não é comum adotar-se medidas de controle de doenças na cultura da cana, pulverizações de fungicidas e bactericidas, como ocorre em outras culturas. As doenças mais importantes para a cultura, serão descritas abaixo, ordenadas de acordo com o agente causal:
1. Doenças causadas por Vírus:
• Mosaico
2. Doenças causadas por Bactérias:
• Escaldadura das folhas
• Estrias vermelhas
• Raquitismo da soqueira
3. Doenças causadas por Fungos:
• Carvão
• Ferrugens: Marrom e Alaranjada
• Podridão abacaxi
• Podridão de fusarium
• Podridão vermelha

 
MOSAICO (Vírus do Mosaico da cana-de-açúcar – SCMV )
Histórico:
É uma doença que causou grandes perdas nos países produtores, pois no início do século XX, as variedades cultivadas eram conhecidas como nobres (Saccharum officinarum), onde a maioria destas variedades eram altamente suscetíveis ao Mosaico. Através do Melhoramento Genético com a geração de canas híbridas, resistentes ao Mosaico, a importância desta doença ficou bastante reduzida, surgindo apenas alguns focos da doença em algumas variedades em determinados locais.
Agente causal:
A doença é causada pelo vírus do mosaico da cana-de-açúcar
( “sugarcane mosaic vírus” ou SCMV ).
Sintomas:
Os sintomas ocorrem basicamente nas folhas, podendo variar a sua intensidade de acordo com a resistência da variedade, locais onde estão cultivadas e linhagem do vírus. Os sintomas mais evidentes são de áreas foliares com diferentes intensidades de verde intenso, circundadas por um verde mais claro ou áreas cloróticas de coloração mais amarelada. Os sintomas podem progredir e provocar até a necrose da área foliar, sendo mais evidentes na base das folhas e em plantas mais jovens de rápido crescimento, em plantas mais velhas podem desaparecer dependendo do grau de resistência da variedade.
Disseminação:
O vírus do mosaico é disseminado naturalmente através de várias espécies de afídeos (pulgões), que ao pousar e dar uma “picada” em uma planta (com o seu estilete contaminado com vírus) transmite a doença. A utilização da mudas de canas infectadas na formação de viveiros e plantios comerciais é outra forma importante de disseminação da doença. Vale ressaltar que, deve-se evitar a instalação de viveiros próximos as culturas de milho e sorgo principalmente por serem hospedeiras de pulgões que podem estar infectadas por potyvirus, agentes causais do mosaico.
Controle:
Variedades resistentes é o método de controle mais eficiente da doença.
As inspeções de "roguing" e eliminação das plantas doentes é uma prática bastante eficiente, isto é, quando o nível de infecção é baixo. Utilização de mudas certificadas.


 
ESCALDADURA-DAS-FOLHAS (BACTÉRIA Xanthomonas albilineans)
Histórico:
Foi identificada na Austrália e Java e hoje é encontrada em todas as regiões produtoras de cana no mundo.
Agente causal:
A doença é provocada por uma bactéria gram-negativa denominada Xanthomonas albilineans que é capaz de colonizar os vasos do Xilema da planta.
Sintomas:
Em variedades suscetíveis a doença pode causar grandes perdas, devido a queima das folhas e morte dos colmos, já as variedades tolerantes podem servir como um depósito do patógeno. Alguns fatores como o aumento da umidade durante a maturação e estresses provocados por seca, frio e inundação podem intensificar os sintomas. Plantas atacadas pela doença apresentam três tipos de infecção:
LATENTE (assintomática) que pode ser identificado apenas por métodos de alta sensibilidade.
CRÔNICA: Sintomas variando de estrias brancas e finas ao longo de toda folha, paralelas a nervura central até as bainhas foliares.
AGUDA: Sintomas de “queima” das folhas, evoluindo da ponta ou pelas margens podendo necrosar totalmente a folha. Os colmos podem apresentar descoloração dos feixes do xilema na região do “nó”, com a morte da gema apical, surgem brotações laterais por todo colmo.
Disseminação:
A doença é disseminada principalmente por instrumentos de corte, podões e colhedora e também pela utilização de mudas contaminadas.
Controle:
Utilização de variedades resistentes associada à produção de mudas certificadas, com alta sanidade. No campo pode-se evitar a disseminação da doença através da desinfecção e limpeza dos instrumentos de corte, com a utilização de produtos químicos que contenham bactericidas (amônia quaternária). As operações de “roguing” proporcionam uma boa medida de controle na produção de mudas de cana-de-açúcar.


 
ESTRIAS VERMELHAS (BACTÉRIA Pseudomonas rubrilineans)
Histórico:
Teve origem na África, no Brasil apresenta uma distribuição restrita, pois necessita de condições climáticas e de solo específicas, isto é, o aparecimento da doença está associado a solos de alta fertilidade.
Agente causal:
A doença é causada pela bactéria gram-negativa Pseudomonas rubrilineans.
Sintomas:
Os sintomas inicialmente se manifestam nas folhas, com a aparecimento de estrias finas e longas de coloração avermelhada, com a evolução da doença, as estrias podem atingir a região do meristema apical provocando a “podridão de topo”, em condições favoráveis e em variedades suscetíveis a podridão evolui para o resto do colmo. Áreas atacadas pela doença pode notar um forte odor. Geralmente plantas com 3 a 8 meses de idade nota-se uma ocorrência maior da doença.
Disseminação:
A bactéria pode sobreviver no solo e em restos de cultura. Temperaturas altas (acima de 28ºC) associado a períodos de alta precipitação (umidade relativa acima de 90%) e solos de alta fertilidade, favorecem o aparecimento e disseminação da doença.
Controle:
O cultivo de variedades suscetíveis, em ambientes favoráveis, isto é, solos de alta fertilidade, não é aconselhável. Estas variedades devem ser cultivadas em ambientes mais restritivos (solos de baixa fertilidade) e com a bactéria pode sobreviver em restos de cultura, deve-se evitar o plantio de viveiros nestas áreas.

 
RAQUITISMO-DA-SOQUEIRA (BACTÉRIA Leifsonia xyli subsp. xyli)
Histórico:
É uma das mais importantes doenças bacterianas, pois a maioria das variedades de cana é suscetível, em maior ou menor intensidade e atualmente é encontrada na maioria das regiões produtoras do Brasil.
Agente causal:
O raquitismo é causado por uma bactéria gram-positiva denominada Leifsonia xyli subsp. Xyli, que coloniza os vasos do xilema, provocando uma obstrução dos mesmos.
Sintomas:
Trata-se de uma doença que não apresenta sintomas externos aparentes, pode ser observado apenas um crescimento desuniforme (irregular) das touceiras, dando um aspecto de altos e baixos ao talhão, sintomas que podem ser mais evidentes, associados a outros fatores, como, seca, compactação, presença de ervas daninhas, herbicidas e outros. Pode ser observado um sintoma interno da doença, que seria o desenvolvimento de uma coloração avermelhada dos feixes vasculares, na base dos nós do colmo.
Disseminação:
A doença é transmitida de uma planta para outra através de instrumentos de corte como: podão, colhedoras e plantadoras, que permanecem impregnadas com caldo de plantas doentes contaminando as plantas sadias que são cortadas na seqüência, podendo transmitir a doença para centenas de novas touceiras sadias. A transmissão aumenta rapidamente de um ciclo para outro da cana, principalmente com o uso de mudas provenientes de canaviais contaminados, ocorrendo assim a disseminação em grandes extensões.
Controle:
A maneira mais efetiva de controle seria a utilização de variedades resistentes associada a produção de mudas sadias (mudas certificadas). No processo de produção de mudas sadias, a utilização do tratamento térmico de gemas isoladas ou toletes de três gemas, que consiste na imersão dos toletes ou gemas em água aquecida. O tratamento térmico pode ser realizado de duas maneiras: 0,5ºC por 2 horas ou 52ºC por meia hora. Como a bactéria é transmitida, no campo, por instrumentos de corte, recomenda-se também como medida preventiva, para evitar a disseminação da doença, a limpeza ou desinfecção dos instrumentos de corte, com produtos químicos que contenham bactericidas, amônia quaternária é o produto mais utilizado.

CARVÃO (FUNGO Ustilago scitaminea)
Histórico:
O primeiro relato da doença foi na África do Sul, no Brasil foi identificado em 1946. Mas foi na década de 80 que a doença provocou grandes perdas, pois atingiu a variedade NA56-79 que na época ocupava uma grandes áreas na regiões produtoras.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Ustilago scitaminea, que parasita os tecidos meristemáticos da planta.
Sintomas:
Sintomas no cartucho e/ou ápice do colmo
Carvão: Este é um sintoma que pode ser de grande importância, dependendo do nível da infestação. A planta afetada apresenta um apêndice semelhante a chicote produzido no ápice dos colmos ou de brotações laterais, do qual é liberado um pó preto constituído de esporos do fungo. Os colmos, geralmente são mais finos do que o normal e as touceiras podem ter aparência de capim. A transmissão é feita por toletes contaminados e pelo vento. Porém, o tratamento é simples: a água quente a 52ºC por 45 minutos elimina o fungo de toletes infestados. O controle é feito com variedades resistentes e "roguing”
Disseminação:
A dispersão dos esporos é aérea e podem se deslocar por grandes distancias, através de correntes de ar. Os esporos podem cair no solo ou diretamente nas gemas dos colmos, que em condições de seca, podem permanecer dormentes, até que haja umidade para germinarem e infectar as células meristemáticas da gema. Pode ocorrer, após o plantio, a infecção de gemas através de esporos do fungo que caíram no solo e entram em contato com a gema. Em condições de alta umidade e temperatura elevada os esporos perdem sua viabilidade rapidamente, sendo assim, durante invernos frios e secos ocorre uma alta concentração de esporos viáveis, podendo facilitar a disseminação da doença em plantios realizados no início das chuvas.
Controle:
Variedades resistentes é a maneira mais eficiente de controle. Utilização de mudas certificadas, tratadas termicamente, associadas ao uso de fungicidas sistêmicos e monitoradas através das operações de roguing na formação de viveiros.

FERRUGEM MARROM (FUNGO Puccinia melanocephala)
Histórico:
Foi identificada na Índia, no início do século 20. No Brasil o primeiro relato da doença foi feito em 1986, infestando canaviais dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, onde acredita-se que a doença tenha chegado ao Brasil por meio de corrente de ar provenientes do continente africano.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Puccinia melanocephala, que é um parasita obrigatório, infectando a planta por meio de uredósporos.
Sintomas:
Os sintomas se restringem basicamente às folhas, inicialmente com pequenas pontuações cloróticas, que evoluem rapidamente, isto é, se alongam na superfície das folhas, inicialmente de coloração amarelada evoluindo para avermelhada chegando a preta nos estágios finais de necrose da folha. Na superfície inferior da folha, pode-se notar estruturas mais salientes, perceptíveis ao toque com os dedos, estruturas estas, denominadas com “pústulas”, pois, o fungo começa produzir esporos, que rompem a epiderme da folha disseminado a doença. Variedades mais suscetíveis associadas a fase de desenvolvimento, condições ambientais favoráveis e ao nível dos sintomas, pode provocar morte de perfilhos, colmos finos e retardar o crescimento, provocando perdas de produtividade bastante significativas.
Disseminação:
Temos com principal veículo de disseminação as correntes de ar (o vento), sendo necessário também, umidade na superfície das folhas onde os esporos serão depositados para germinar e penetrar no tecido vegetal. Alta umidade e temperaturas amenas, entre 15 a 27ºC, favorecem o desenvolvimento da doença. Excesso de chuvas podem prejudicar a instalação da doença, pois “lavam” superfície foliar das plantas.
Controle:
A maneira mais eficiente e econômica de se controlar a ferrugem é através do uso de variedades resistentes.

FERRUGEM ALARANJADA (FUNGO Puccinia kuehnii)
Histórico:
A primeira citação de Puccinia kuehnii como agente causador de Ferrugem na cultura da Cana-de-Açúcar data de 1890. Todavia, somente no final da década de 1990 o fungo revelou-se de grande importância econômica ao setor açucareiro da Austrália, atacando a variedade Q124. Em julho de 2007, foi então realizada a primeira detecção da doença no hemisfério ocidental, mais especificamente no Estado da Flórida, nos Estados Unidos da América. Até então, a ocorrência de Puccinia kuehnii se restringia ao continente oceânico e ao asiático.
No Brasil, o primeiro relato da doença foi oficialmente detectado em dezembro de 2009, na região de Araraquara/SP, o primeiro foco da Ferrugem Alaranjada da Cana-de-Açúcar.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Puccinia kuehnii, que é um parasita obrigatório, infectando a planta por meio de uredósporos.

Sintomas:
Os sintomas se restringem basicamente às folhas, inicialmente com pequenas pontuações amareladas, recobertas pela cutícula da folha que evoluem rapidamente, isto é, se alongam na superfície das folhas, inicialmente de coloração alaranjada Quando ocorre de forma severa, pode ocorrer à junção de pústulas, causando necrose de tecido foliar, principalmente nas pontas e bordas das folhas mais velhas. Na superfície inferior da folha, podem-se notar estruturas mais salientes, perceptíveis ao toque com os dedos, estruturas estas, denominadas com “pústulas”, pois, o fungo começa produzir esporos, que rompem à epiderme da folha disseminado a doença.

Disseminação:
Temos com principal veículo de disseminação as correntes de ar (o vento), a doença necessita temperaturas altas como também alta umidade relativa do ar. O período de outubro a março é o ideal para o desenvolvimento da doença em nossa região.
Controle:
A maneira mais eficiente e econômica de se controlar a ferrugem é através do uso de variedades resistentes e em notas altas de infestações realizando a aplicação de fungicidas.

PODRIDÃO ABACAXI (FUNGO Ceratocystis paradoxa)
Histórico:
A doença afeta exclusivamente áreas de cana planta (muda ou tolete). Ocorre em todas as regiões produtoras, principalmente em plantios mais tardios (abril agosto) e em área de solos mais argilosos em condições de muita umidade.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Ceratocystis paradoxa.
Sintomas:
Em áreas recém plantadas, que apresentarem uma brotação anormal e morte de brotos novos, podem indicar a presença da doença. Canaviais instalados em solos contaminados, ocorre a penetração do fungo pelas extremidades de corte dos toletes, colonizando os tecidos internos, levando à morte de gemas e de brotos novos. Pode-se detectar a doença, cortando-se o tolete longitudinalmente e se for observado uma coloração vermelha dos tecidos internos que podem exalar odor de abacaxi. Em estágio mais avançado o tecido parenquimatoso é destruído, restando apenas os feixes fibro-vasculares e quando expostos ao ar por alguns dias os toletes se apresentam ocos e enegrecidos. Os toletes podem se deteriorar antes das gemas brotarem.
Disseminação:
Trata-se de um patógeno de ferimentos (cortes), que sobrevivem no solo, disseminados pela água da chuva, ventos, solos contaminados e também, pode ocorrer a disseminação através de mudas. Temperaturas baixas e alta umidade favorecem o aparecimento da doença, então em solos mais pesados e mal drenados a incidência da doença é maior.
Controle:
Com a realização de plantios cada vez mais tarde, entre os meses de abril a agosto, acompanhados de temperaturas mais amenas (frio), o que retarda o desenvolvimento dos brotos, cria uma excelente oportunidade para que a doença se embeleça. Evitar plantios muito profundos, combinados a solos com excesso de umidade e temperaturas mais baixas. O plantio de cana inteira, quando possível, picar menos os toletes (6 ou mais gemas), mudas novas que brotam mais rápido (maior vigor), utilização de fungicidas na operação de plantio, são práticas que podem reduzir a incidência da doença.


FUSARIOSE (FUNGO Fusarium moniliforme)
Histórico:
Doença sistêmica que pode provocar o aparecimento de diversos sintomas durante o desenvolvimento da planta e está presente em todas as regiões produtoras.
Agente Causal:
É causado pelo fungo Fusarium moniliforme, que é um parasita obrigatório que infecta da semente até a planta adulta.
Sintomas:
Os sintomas são bastante variáveis pois dependem da estirpe do fungo, das condições ambientais, do nível de resistência da variedade e do estágio de desenvolvimento da cultura. Os sintomas em toletes podem provocar podridão do sistema radicular a baixa brotação de gemas. Nos colmos os sintomas estão associados a ferimentos mecânicos, físicos ou químicos. Os orifícios feitos por brocas favorece o desenvolvimento fusariose e sua associação ao fungo da podridão vermelha. Outro sintoma conhecido como “Pokkah-boeng” ou deformação do topo da cana-de-açucar, onde as folhas apresentam áreas cloróticas, enrugadas, as folhas ficam “torcidas”, tortas é uma outra forma de dano. Pode também provocar o encurtamento do entrenó, que se recuperam, deixando-o com o aspecto de “manivela”. Outro sintoma provocado pela doença é o aparecimento de uma rachadura transversal do colmo, também conhecida como “corte canivete”.
Disseminação:
O possui uma grande capacidade de produzir esporos, mas, não sobrevive por longos períodos no solo. Sua disseminação se dá através de mudas infectadas, correntes de ar e chuvas. Alguns sintomas com “Pokkah-boeng”, são mais frequentes em condições de alta temperatura e umidade, quando a planta está em pleno desenvolvimento. Área colhida sem queima, em solos de boa fertilidade em regiões quentes pode favorecer o aparecimento de “corte canivete” na base dos colmos e posterior quebra dos mesmos.
Controle:
Através do uso de variedades tolerantes, tratamento térmico que elimina o fungo dos toletes, uso de fungicidas no plantio, que protege os toletes na fase inicial de desenvolvimento e também o controle da broca da cana-de-açúcar.


PODRIDÃO VERMELHA (FUNGO Colletotrichum falcatum)
Histórico:
Trata-se de uma doença que afeta os canaviais de todo mundo, há muito tempo. Causa prejuízos diretos quanto à redução do teor de sacarose dos colmos. Está associada, como o Fusarium , ao ataque da broca, onde esta interação entre doença e praga, é denominada como “complexo broca-podridão”.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Colletotrichum falcatum, que é um parasita obrigatório, infectando a planta através de lesões existentes nos tecidos vegetais.
Sintomas:
Os sintomas que mais preocupam, ocorrem no interior dos colmos, podendo não ser observados no início do desenvolvimento da planta. Em canaviais adultos pode ocorrer a quebra e o tombamento dos colmos afetados. Através de um corte longitudinal do colmo pode-se observar melhor os sintomas, que se apresentam através de manchas de coloração vermelha, intercaladas com faixas mais claras ou brancas, característica da podridão vermelha, diferente de ocorre com o ataque de Fusarium. Variedades mais suscetíveis os sintomas podem observados em todo o colmo. Os sintomas nas folhas ocorrem na nervura central, através de manchas alongadas de coloração vermelha, no limbo foliar com manchas avermelhadas e nas bainhas através de pequenos pontos escuros. Provoca também o apodrecimento completo dos toletes (muda).
Controle:
Variedades resistentes é a maneira mais efetiva e econômica de controle da doença, pois, o fungo sobrevive por vários anos no solo e em restos de cultura, desta maneira, um bom preparo do solo, eliminado os restos de cultura, mudas de procedência (certificadas), boa drenagem do solo e plantio em épocas que favoreçam a rápida brotação, são práticas recomendadas que evitam o aparecimento da doença.

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16/05/2013

Manejo das principais Doenças da Cana-de-Açúcar

Várias doenças podem afetar a cultura da cana-de-açúcar, algumas de maior importância atualmente e outras potenciais, podendo causar sérios prejuízos a cultura.
A maioria das doenças que ocorrem em cana-de-açúcar, é controlada através do melhoramento genético, isto é, os Programas de Melhoramento, através de Cruzamentos (Hibridação), incorporam resistência genética às principais doenças nas novas variedades de cana desenvolvidas. Propagada vegetativamente, ocupando áreas continuas e extensas, a cana se expõe com mais facilidade a patógenos importantes. É praticamente impossível desenvolver uma variedade que englobe todas as características desejáveis, portanto, algumas práticas de controle, como por exemplo o roguing, se fazem necessário para que os prejuízos causados sejam menores. Vale ressaltar, que exceto para o controles de ferrugens, não é comum adotar-se medidas de controle de doenças na cultura da cana, pulverizações de fungicidas e bactericidas, como ocorre em outras culturas. As doenças mais importantes para a cultura, serão descritas abaixo, ordenadas de acordo com o agente causal:
1. Doenças causadas por Vírus:
• Mosaico
2. Doenças causadas por Bactérias:
• Escaldadura das folhas
• Estrias vermelhas
• Raquitismo da soqueira
3. Doenças causadas por Fungos:
• Carvão
• Ferrugens: Marrom e Alaranjada
• Podridão abacaxi
• Podridão de fusarium
• Podridão vermelha

 
MOSAICO (Vírus do Mosaico da cana-de-açúcar – SCMV )
Histórico:
É uma doença que causou grandes perdas nos países produtores, pois no início do século XX, as variedades cultivadas eram conhecidas como nobres (Saccharum officinarum), onde a maioria destas variedades eram altamente suscetíveis ao Mosaico. Através do Melhoramento Genético com a geração de canas híbridas, resistentes ao Mosaico, a importância desta doença ficou bastante reduzida, surgindo apenas alguns focos da doença em algumas variedades em determinados locais.
Agente causal:
A doença é causada pelo vírus do mosaico da cana-de-açúcar
( “sugarcane mosaic vírus” ou SCMV ).
Sintomas:
Os sintomas ocorrem basicamente nas folhas, podendo variar a sua intensidade de acordo com a resistência da variedade, locais onde estão cultivadas e linhagem do vírus. Os sintomas mais evidentes são de áreas foliares com diferentes intensidades de verde intenso, circundadas por um verde mais claro ou áreas cloróticas de coloração mais amarelada. Os sintomas podem progredir e provocar até a necrose da área foliar, sendo mais evidentes na base das folhas e em plantas mais jovens de rápido crescimento, em plantas mais velhas podem desaparecer dependendo do grau de resistência da variedade.
Disseminação:
O vírus do mosaico é disseminado naturalmente através de várias espécies de afídeos (pulgões), que ao pousar e dar uma “picada” em uma planta (com o seu estilete contaminado com vírus) transmite a doença. A utilização da mudas de canas infectadas na formação de viveiros e plantios comerciais é outra forma importante de disseminação da doença. Vale ressaltar que, deve-se evitar a instalação de viveiros próximos as culturas de milho e sorgo principalmente por serem hospedeiras de pulgões que podem estar infectadas por potyvirus, agentes causais do mosaico.
Controle:
Variedades resistentes é o método de controle mais eficiente da doença.
As inspeções de "roguing" e eliminação das plantas doentes é uma prática bastante eficiente, isto é, quando o nível de infecção é baixo. Utilização de mudas certificadas.


 
ESCALDADURA-DAS-FOLHAS (BACTÉRIA Xanthomonas albilineans)
Histórico:
Foi identificada na Austrália e Java e hoje é encontrada em todas as regiões produtoras de cana no mundo.
Agente causal:
A doença é provocada por uma bactéria gram-negativa denominada Xanthomonas albilineans que é capaz de colonizar os vasos do Xilema da planta.
Sintomas:
Em variedades suscetíveis a doença pode causar grandes perdas, devido a queima das folhas e morte dos colmos, já as variedades tolerantes podem servir como um depósito do patógeno. Alguns fatores como o aumento da umidade durante a maturação e estresses provocados por seca, frio e inundação podem intensificar os sintomas. Plantas atacadas pela doença apresentam três tipos de infecção:
LATENTE (assintomática) que pode ser identificado apenas por métodos de alta sensibilidade.
CRÔNICA: Sintomas variando de estrias brancas e finas ao longo de toda folha, paralelas a nervura central até as bainhas foliares.
AGUDA: Sintomas de “queima” das folhas, evoluindo da ponta ou pelas margens podendo necrosar totalmente a folha. Os colmos podem apresentar descoloração dos feixes do xilema na região do “nó”, com a morte da gema apical, surgem brotações laterais por todo colmo.
Disseminação:
A doença é disseminada principalmente por instrumentos de corte, podões e colhedora e também pela utilização de mudas contaminadas.
Controle:
Utilização de variedades resistentes associada à produção de mudas certificadas, com alta sanidade. No campo pode-se evitar a disseminação da doença através da desinfecção e limpeza dos instrumentos de corte, com a utilização de produtos químicos que contenham bactericidas (amônia quaternária). As operações de “roguing” proporcionam uma boa medida de controle na produção de mudas de cana-de-açúcar.


 
ESTRIAS VERMELHAS (BACTÉRIA Pseudomonas rubrilineans)
Histórico:
Teve origem na África, no Brasil apresenta uma distribuição restrita, pois necessita de condições climáticas e de solo específicas, isto é, o aparecimento da doença está associado a solos de alta fertilidade.
Agente causal:
A doença é causada pela bactéria gram-negativa Pseudomonas rubrilineans.
Sintomas:
Os sintomas inicialmente se manifestam nas folhas, com a aparecimento de estrias finas e longas de coloração avermelhada, com a evolução da doença, as estrias podem atingir a região do meristema apical provocando a “podridão de topo”, em condições favoráveis e em variedades suscetíveis a podridão evolui para o resto do colmo. Áreas atacadas pela doença pode notar um forte odor. Geralmente plantas com 3 a 8 meses de idade nota-se uma ocorrência maior da doença.
Disseminação:
A bactéria pode sobreviver no solo e em restos de cultura. Temperaturas altas (acima de 28ºC) associado a períodos de alta precipitação (umidade relativa acima de 90%) e solos de alta fertilidade, favorecem o aparecimento e disseminação da doença.
Controle:
O cultivo de variedades suscetíveis, em ambientes favoráveis, isto é, solos de alta fertilidade, não é aconselhável. Estas variedades devem ser cultivadas em ambientes mais restritivos (solos de baixa fertilidade) e com a bactéria pode sobreviver em restos de cultura, deve-se evitar o plantio de viveiros nestas áreas.

 
RAQUITISMO-DA-SOQUEIRA (BACTÉRIA Leifsonia xyli subsp. xyli)
Histórico:
É uma das mais importantes doenças bacterianas, pois a maioria das variedades de cana é suscetível, em maior ou menor intensidade e atualmente é encontrada na maioria das regiões produtoras do Brasil.
Agente causal:
O raquitismo é causado por uma bactéria gram-positiva denominada Leifsonia xyli subsp. Xyli, que coloniza os vasos do xilema, provocando uma obstrução dos mesmos.
Sintomas:
Trata-se de uma doença que não apresenta sintomas externos aparentes, pode ser observado apenas um crescimento desuniforme (irregular) das touceiras, dando um aspecto de altos e baixos ao talhão, sintomas que podem ser mais evidentes, associados a outros fatores, como, seca, compactação, presença de ervas daninhas, herbicidas e outros. Pode ser observado um sintoma interno da doença, que seria o desenvolvimento de uma coloração avermelhada dos feixes vasculares, na base dos nós do colmo.
Disseminação:
A doença é transmitida de uma planta para outra através de instrumentos de corte como: podão, colhedoras e plantadoras, que permanecem impregnadas com caldo de plantas doentes contaminando as plantas sadias que são cortadas na seqüência, podendo transmitir a doença para centenas de novas touceiras sadias. A transmissão aumenta rapidamente de um ciclo para outro da cana, principalmente com o uso de mudas provenientes de canaviais contaminados, ocorrendo assim a disseminação em grandes extensões.
Controle:
A maneira mais efetiva de controle seria a utilização de variedades resistentes associada a produção de mudas sadias (mudas certificadas). No processo de produção de mudas sadias, a utilização do tratamento térmico de gemas isoladas ou toletes de três gemas, que consiste na imersão dos toletes ou gemas em água aquecida. O tratamento térmico pode ser realizado de duas maneiras: 0,5ºC por 2 horas ou 52ºC por meia hora. Como a bactéria é transmitida, no campo, por instrumentos de corte, recomenda-se também como medida preventiva, para evitar a disseminação da doença, a limpeza ou desinfecção dos instrumentos de corte, com produtos químicos que contenham bactericidas, amônia quaternária é o produto mais utilizado.

CARVÃO (FUNGO Ustilago scitaminea)
Histórico:
O primeiro relato da doença foi na África do Sul, no Brasil foi identificado em 1946. Mas foi na década de 80 que a doença provocou grandes perdas, pois atingiu a variedade NA56-79 que na época ocupava uma grandes áreas na regiões produtoras.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Ustilago scitaminea, que parasita os tecidos meristemáticos da planta.
Sintomas:
Sintomas no cartucho e/ou ápice do colmo
Carvão: Este é um sintoma que pode ser de grande importância, dependendo do nível da infestação. A planta afetada apresenta um apêndice semelhante a chicote produzido no ápice dos colmos ou de brotações laterais, do qual é liberado um pó preto constituído de esporos do fungo. Os colmos, geralmente são mais finos do que o normal e as touceiras podem ter aparência de capim. A transmissão é feita por toletes contaminados e pelo vento. Porém, o tratamento é simples: a água quente a 52ºC por 45 minutos elimina o fungo de toletes infestados. O controle é feito com variedades resistentes e "roguing”
Disseminação:
A dispersão dos esporos é aérea e podem se deslocar por grandes distancias, através de correntes de ar. Os esporos podem cair no solo ou diretamente nas gemas dos colmos, que em condições de seca, podem permanecer dormentes, até que haja umidade para germinarem e infectar as células meristemáticas da gema. Pode ocorrer, após o plantio, a infecção de gemas através de esporos do fungo que caíram no solo e entram em contato com a gema. Em condições de alta umidade e temperatura elevada os esporos perdem sua viabilidade rapidamente, sendo assim, durante invernos frios e secos ocorre uma alta concentração de esporos viáveis, podendo facilitar a disseminação da doença em plantios realizados no início das chuvas.
Controle:
Variedades resistentes é a maneira mais eficiente de controle. Utilização de mudas certificadas, tratadas termicamente, associadas ao uso de fungicidas sistêmicos e monitoradas através das operações de roguing na formação de viveiros.

FERRUGEM MARROM (FUNGO Puccinia melanocephala)
Histórico:
Foi identificada na Índia, no início do século 20. No Brasil o primeiro relato da doença foi feito em 1986, infestando canaviais dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná, onde acredita-se que a doença tenha chegado ao Brasil por meio de corrente de ar provenientes do continente africano.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Puccinia melanocephala, que é um parasita obrigatório, infectando a planta por meio de uredósporos.
Sintomas:
Os sintomas se restringem basicamente às folhas, inicialmente com pequenas pontuações cloróticas, que evoluem rapidamente, isto é, se alongam na superfície das folhas, inicialmente de coloração amarelada evoluindo para avermelhada chegando a preta nos estágios finais de necrose da folha. Na superfície inferior da folha, pode-se notar estruturas mais salientes, perceptíveis ao toque com os dedos, estruturas estas, denominadas com “pústulas”, pois, o fungo começa produzir esporos, que rompem a epiderme da folha disseminado a doença. Variedades mais suscetíveis associadas a fase de desenvolvimento, condições ambientais favoráveis e ao nível dos sintomas, pode provocar morte de perfilhos, colmos finos e retardar o crescimento, provocando perdas de produtividade bastante significativas.
Disseminação:
Temos com principal veículo de disseminação as correntes de ar (o vento), sendo necessário também, umidade na superfície das folhas onde os esporos serão depositados para germinar e penetrar no tecido vegetal. Alta umidade e temperaturas amenas, entre 15 a 27ºC, favorecem o desenvolvimento da doença. Excesso de chuvas podem prejudicar a instalação da doença, pois “lavam” superfície foliar das plantas.
Controle:
A maneira mais eficiente e econômica de se controlar a ferrugem é através do uso de variedades resistentes.

FERRUGEM ALARANJADA (FUNGO Puccinia kuehnii)
Histórico:
A primeira citação de Puccinia kuehnii como agente causador de Ferrugem na cultura da Cana-de-Açúcar data de 1890. Todavia, somente no final da década de 1990 o fungo revelou-se de grande importância econômica ao setor açucareiro da Austrália, atacando a variedade Q124. Em julho de 2007, foi então realizada a primeira detecção da doença no hemisfério ocidental, mais especificamente no Estado da Flórida, nos Estados Unidos da América. Até então, a ocorrência de Puccinia kuehnii se restringia ao continente oceânico e ao asiático.
No Brasil, o primeiro relato da doença foi oficialmente detectado em dezembro de 2009, na região de Araraquara/SP, o primeiro foco da Ferrugem Alaranjada da Cana-de-Açúcar.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Puccinia kuehnii, que é um parasita obrigatório, infectando a planta por meio de uredósporos.

Sintomas:
Os sintomas se restringem basicamente às folhas, inicialmente com pequenas pontuações amareladas, recobertas pela cutícula da folha que evoluem rapidamente, isto é, se alongam na superfície das folhas, inicialmente de coloração alaranjada Quando ocorre de forma severa, pode ocorrer à junção de pústulas, causando necrose de tecido foliar, principalmente nas pontas e bordas das folhas mais velhas. Na superfície inferior da folha, podem-se notar estruturas mais salientes, perceptíveis ao toque com os dedos, estruturas estas, denominadas com “pústulas”, pois, o fungo começa produzir esporos, que rompem à epiderme da folha disseminado a doença.

Disseminação:
Temos com principal veículo de disseminação as correntes de ar (o vento), a doença necessita temperaturas altas como também alta umidade relativa do ar. O período de outubro a março é o ideal para o desenvolvimento da doença em nossa região.
Controle:
A maneira mais eficiente e econômica de se controlar a ferrugem é através do uso de variedades resistentes e em notas altas de infestações realizando a aplicação de fungicidas.

PODRIDÃO ABACAXI (FUNGO Ceratocystis paradoxa)
Histórico:
A doença afeta exclusivamente áreas de cana planta (muda ou tolete). Ocorre em todas as regiões produtoras, principalmente em plantios mais tardios (abril agosto) e em área de solos mais argilosos em condições de muita umidade.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Ceratocystis paradoxa.
Sintomas:
Em áreas recém plantadas, que apresentarem uma brotação anormal e morte de brotos novos, podem indicar a presença da doença. Canaviais instalados em solos contaminados, ocorre a penetração do fungo pelas extremidades de corte dos toletes, colonizando os tecidos internos, levando à morte de gemas e de brotos novos. Pode-se detectar a doença, cortando-se o tolete longitudinalmente e se for observado uma coloração vermelha dos tecidos internos que podem exalar odor de abacaxi. Em estágio mais avançado o tecido parenquimatoso é destruído, restando apenas os feixes fibro-vasculares e quando expostos ao ar por alguns dias os toletes se apresentam ocos e enegrecidos. Os toletes podem se deteriorar antes das gemas brotarem.
Disseminação:
Trata-se de um patógeno de ferimentos (cortes), que sobrevivem no solo, disseminados pela água da chuva, ventos, solos contaminados e também, pode ocorrer a disseminação através de mudas. Temperaturas baixas e alta umidade favorecem o aparecimento da doença, então em solos mais pesados e mal drenados a incidência da doença é maior.
Controle:
Com a realização de plantios cada vez mais tarde, entre os meses de abril a agosto, acompanhados de temperaturas mais amenas (frio), o que retarda o desenvolvimento dos brotos, cria uma excelente oportunidade para que a doença se embeleça. Evitar plantios muito profundos, combinados a solos com excesso de umidade e temperaturas mais baixas. O plantio de cana inteira, quando possível, picar menos os toletes (6 ou mais gemas), mudas novas que brotam mais rápido (maior vigor), utilização de fungicidas na operação de plantio, são práticas que podem reduzir a incidência da doença.


FUSARIOSE (FUNGO Fusarium moniliforme)
Histórico:
Doença sistêmica que pode provocar o aparecimento de diversos sintomas durante o desenvolvimento da planta e está presente em todas as regiões produtoras.
Agente Causal:
É causado pelo fungo Fusarium moniliforme, que é um parasita obrigatório que infecta da semente até a planta adulta.
Sintomas:
Os sintomas são bastante variáveis pois dependem da estirpe do fungo, das condições ambientais, do nível de resistência da variedade e do estágio de desenvolvimento da cultura. Os sintomas em toletes podem provocar podridão do sistema radicular a baixa brotação de gemas. Nos colmos os sintomas estão associados a ferimentos mecânicos, físicos ou químicos. Os orifícios feitos por brocas favorece o desenvolvimento fusariose e sua associação ao fungo da podridão vermelha. Outro sintoma conhecido como “Pokkah-boeng” ou deformação do topo da cana-de-açucar, onde as folhas apresentam áreas cloróticas, enrugadas, as folhas ficam “torcidas”, tortas é uma outra forma de dano. Pode também provocar o encurtamento do entrenó, que se recuperam, deixando-o com o aspecto de “manivela”. Outro sintoma provocado pela doença é o aparecimento de uma rachadura transversal do colmo, também conhecida como “corte canivete”.
Disseminação:
O possui uma grande capacidade de produzir esporos, mas, não sobrevive por longos períodos no solo. Sua disseminação se dá através de mudas infectadas, correntes de ar e chuvas. Alguns sintomas com “Pokkah-boeng”, são mais frequentes em condições de alta temperatura e umidade, quando a planta está em pleno desenvolvimento. Área colhida sem queima, em solos de boa fertilidade em regiões quentes pode favorecer o aparecimento de “corte canivete” na base dos colmos e posterior quebra dos mesmos.
Controle:
Através do uso de variedades tolerantes, tratamento térmico que elimina o fungo dos toletes, uso de fungicidas no plantio, que protege os toletes na fase inicial de desenvolvimento e também o controle da broca da cana-de-açúcar.


PODRIDÃO VERMELHA (FUNGO Colletotrichum falcatum)
Histórico:
Trata-se de uma doença que afeta os canaviais de todo mundo, há muito tempo. Causa prejuízos diretos quanto à redução do teor de sacarose dos colmos. Está associada, como o Fusarium , ao ataque da broca, onde esta interação entre doença e praga, é denominada como “complexo broca-podridão”.
Agente causal:
A doença é causada pelo fungo Colletotrichum falcatum, que é um parasita obrigatório, infectando a planta através de lesões existentes nos tecidos vegetais.
Sintomas:
Os sintomas que mais preocupam, ocorrem no interior dos colmos, podendo não ser observados no início do desenvolvimento da planta. Em canaviais adultos pode ocorrer a quebra e o tombamento dos colmos afetados. Através de um corte longitudinal do colmo pode-se observar melhor os sintomas, que se apresentam através de manchas de coloração vermelha, intercaladas com faixas mais claras ou brancas, característica da podridão vermelha, diferente de ocorre com o ataque de Fusarium. Variedades mais suscetíveis os sintomas podem observados em todo o colmo. Os sintomas nas folhas ocorrem na nervura central, através de manchas alongadas de coloração vermelha, no limbo foliar com manchas avermelhadas e nas bainhas através de pequenos pontos escuros. Provoca também o apodrecimento completo dos toletes (muda).
Controle:
Variedades resistentes é a maneira mais efetiva e econômica de controle da doença, pois, o fungo sobrevive por vários anos no solo e em restos de cultura, desta maneira, um bom preparo do solo, eliminado os restos de cultura, mudas de procedência (certificadas), boa drenagem do solo e plantio em épocas que favoreçam a rápida brotação, são práticas recomendadas que evitam o aparecimento da doença.