A Celebração do Natal

Voltar
23/12/2009

Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

Depois de um ano de muitas metas e obstáculos de diferentes naturezas a serem vencidos, o Natal é o momento do ano que representa uma pausa, um respiro na correria do dia-a-dia. É a hora do fechamento das contas, um balanço do que fizemos, do que deixou de ser feito, do que ganhamos e do que perdemos – e isso não significa necessariamente valores monetários. E, em geral, concluímos que muitas daquelas promessas que fizemos no Ano Novo passado não foram cumpridas.

O fato é que temos dificuldades em administrar o tempo, de distribuí-lo de forma proporcional à importância das tarefas a serem feitas. Preocupamo-nos demais com pequenas coisas, damos exagerado valor ao que não é, muitas vezes, o mais importante. E quando damos conta de que estamos sendo descompensados na forma de distribuir esse presente precioso que nos foi dado, parte dele já virou passado.

Assim, pensar a respeito do que temos feito, do tempo que estamos dedicando às coisas, é um presente que damos a nós mesmos e a quem está ao nosso redor. O Natal é sempre lembrado com alegria pela memória dos bons tempos de criança, em que as famílias se encontravam para compartilhar seus sentimentos. Mas, os tempos são outros e as coisas mudaram. Hoje, corremos contra o tempo e sobra pouco espaço em nossas vidas para coisas simples que, geralmente, são aquelas que mais nos marcam, como os Natais de nossa infância.

Se pararmos para pensar nas tragédias do mundo, veremos que a raiz de todos os problemas está no enfraquecimento das estruturas familiares e no esmorecimento de valores que escupem o caráter e o modo de agir das pessoas. A sensação que temos é que a cada dia o ser humano se torna menos humano ao se desfazer de sentimentos nobres, como o respeito ao próximo, a solidariedade com o sofrimento e com a necessidade do outro, a crença de que seremos julgados, de alguma forma, pelos nossos atos.

O mundo chegou ao ponto em que a diferença de crenças e a intolerância movem conflitos intermináveis e ninguém se entende, mesmo quando os argumentos são irrefutáveis. O que parece prevalecer é a tirania dos mais fortes sobre os mais fracos. No entanto, sempre quando assistimos na televisão ou vemos as fotos de atentados ou massacres, a expressão da dor está estampada nos olhos de quem perde um filho, um amigo ou um outro parente. E onde há dor há também o amor, a tolerância, a fraternidade.

Assim, creio que o desafio do mundo moderno seja o resgate dos sentimentos. O homem de tanto conviver com a tecnologia e com as máquinas parece ter se tornado um deles: suas ações são programadas, suas intervenções otimizadas e sobra pouco tempo para que ele se volte a si mesmo e dedique mais tempo à família, ao lazer, a sua fé. Se o tempo dedicado a essas coisas humanas fosse maior, talvez a diferença poderia se refletir mundo afora. A realidade apenas reflete o que o homem traz em seu interior.

Assim, este Natal é uma grande oportunidade de tentarmos reaver o tempo que deixamos que se perdesse. Um abraço, um cartão, um telefonema para aquele amigo ou parente distante. O propósito de dedicar mais tempo às pessoas que amamos, que nos são importantes. E demonstrar a todos que estão ao nosso lado o quão importante eles são para o que somos. Esse é um dos sentidos desta data. Um Feliz Natal a todos.

*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo).

COMENTÁRIOS

0 comentários postados

Mostrando 1 à 0 (de 0 encontrados)
  1. PÁGINA:

A Celebração do Natal

23/12/2009

Manoel Carlos de Azevedo Ortolan*

Depois de um ano de muitas metas e obstáculos de diferentes naturezas a serem vencidos, o Natal é o momento do ano que representa uma pausa, um respiro na correria do dia-a-dia. É a hora do fechamento das contas, um balanço do que fizemos, do que deixou de ser feito, do que ganhamos e do que perdemos – e isso não significa necessariamente valores monetários. E, em geral, concluímos que muitas daquelas promessas que fizemos no Ano Novo passado não foram cumpridas.

O fato é que temos dificuldades em administrar o tempo, de distribuí-lo de forma proporcional à importância das tarefas a serem feitas. Preocupamo-nos demais com pequenas coisas, damos exagerado valor ao que não é, muitas vezes, o mais importante. E quando damos conta de que estamos sendo descompensados na forma de distribuir esse presente precioso que nos foi dado, parte dele já virou passado.

Assim, pensar a respeito do que temos feito, do tempo que estamos dedicando às coisas, é um presente que damos a nós mesmos e a quem está ao nosso redor. O Natal é sempre lembrado com alegria pela memória dos bons tempos de criança, em que as famílias se encontravam para compartilhar seus sentimentos. Mas, os tempos são outros e as coisas mudaram. Hoje, corremos contra o tempo e sobra pouco espaço em nossas vidas para coisas simples que, geralmente, são aquelas que mais nos marcam, como os Natais de nossa infância.

Se pararmos para pensar nas tragédias do mundo, veremos que a raiz de todos os problemas está no enfraquecimento das estruturas familiares e no esmorecimento de valores que escupem o caráter e o modo de agir das pessoas. A sensação que temos é que a cada dia o ser humano se torna menos humano ao se desfazer de sentimentos nobres, como o respeito ao próximo, a solidariedade com o sofrimento e com a necessidade do outro, a crença de que seremos julgados, de alguma forma, pelos nossos atos.

O mundo chegou ao ponto em que a diferença de crenças e a intolerância movem conflitos intermináveis e ninguém se entende, mesmo quando os argumentos são irrefutáveis. O que parece prevalecer é a tirania dos mais fortes sobre os mais fracos. No entanto, sempre quando assistimos na televisão ou vemos as fotos de atentados ou massacres, a expressão da dor está estampada nos olhos de quem perde um filho, um amigo ou um outro parente. E onde há dor há também o amor, a tolerância, a fraternidade.

Assim, creio que o desafio do mundo moderno seja o resgate dos sentimentos. O homem de tanto conviver com a tecnologia e com as máquinas parece ter se tornado um deles: suas ações são programadas, suas intervenções otimizadas e sobra pouco tempo para que ele se volte a si mesmo e dedique mais tempo à família, ao lazer, a sua fé. Se o tempo dedicado a essas coisas humanas fosse maior, talvez a diferença poderia se refletir mundo afora. A realidade apenas reflete o que o homem traz em seu interior.

Assim, este Natal é uma grande oportunidade de tentarmos reaver o tempo que deixamos que se perdesse. Um abraço, um cartão, um telefonema para aquele amigo ou parente distante. O propósito de dedicar mais tempo às pessoas que amamos, que nos são importantes. E demonstrar a todos que estão ao nosso lado o quão importante eles são para o que somos. Esse é um dos sentidos desta data. Um Feliz Natal a todos.

*Presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo).